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Pressão política no BRB
Ibaneis: celular de Vorcaro tem informações sobre papel do governador sobre o BRB. Foto: Cristiano Carvalho/Agência Brasília
ECONOMIA

Ibaneis na mira da PF por pressão política no BRB

Governador teria articulado fusão com Banco Master ignorando riscos

A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público aprofundam as investigações sobre uma das facetas mais obscuras do escândalo financeiro recente: a pressão política no BRB (Banco de Brasília) para que a instituição pública servisse de “bunker” para o agora liquidado Banco Master. A apuração detalha um esquema de tráfico de influência que teria partido do alto escalão do governo do Distrito Federal, sob comando de Ibaneis Rocha (MDB), para forçar uma fusão ou aquisição que contrariava a lógica de mercado.

Os investigadores trabalham com a tese de que a pressão política no BRB não foi apenas uma sugestão de negócios, mas uma ordem velada para contornar as barreiras de compliance e governança corporativa. O objetivo era viabilizar a entrada de Daniel Vorcaro, dono do Master, na estrutura do banco estatal, trazendo consigo uma carteira de crédito bilionária, porém “podre”, contaminada por operações de alto risco e suspeitas de fraude.

O celular de Vorcaro e o elo com o Buriti

A peça-chave para desvendar a pressão política no BRB é o celular apreendido de Daniel Vorcaro. A quebra do sigilo telemático do banqueiro busca mapear a frequência e o teor das conversas com interlocutores diretos do Palácio do Buriti e da presidência do BRB, comandada por Paulo Henrique Costa.

A PF investiga se houve promessa de vantagens indevidas ou contrapartidas políticas para que o BRB ignorasse os alertas de risco. Relatórios de inteligência financeira sugerem que a “agressividade comercial” do BRB nos últimos anos – marca da gestão Ibaneis – serviu de cortina de fumaça para operações temerárias. A hipótese é que a pressão política no BRB visava usar a liquidez do banco dos servidores do DF para cobrir o rombo que já se formava no Master, transformando um problema privado em prejuízo público.

Atropelo técnico e risco sistêmico

Depoimentos e documentos internos indicam que a área técnica do BRB teria resistido inicialmente à aproximação com o Master, apontando a fragilidade dos ativos de Vorcaro. É nesse ponto que a pressão política no BRB teria se intensificado. A investigação apura se houve substituição de técnicos, reuniões fora da agenda oficial e “pedidos especiais” para que os pareceres fossem flexibilizados.

Se a operação tivesse sido concretizada, o BRB teria absorvido um passivo tóxico capaz de comprometer sua solvência. O caso expõe como a governança de empresas estatais pode ser vulnerável quando a pressão política no BRB e em outros órgãos se sobrepõe ao interesse público, colocando em xeque a blindagem institucional prometida por Ibaneis Rocha.

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