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o que é neofascismo
Ministério Público alemão anunciou a abertura de um inquérito para investigar a suposta projeção de imagens durante um ato de protesto na gigafábrica de veículos elétricos da Tesla em Grünheide, na Alemanha. Dois grupos de ativistas postaram em suas redes sociais imagens mostrando o que seriam projeções na fachada da fábrica. Uma das cenas mostrava o bilionário Elon Musk – o proprietário da empresa – fazendo um gesto similar à saudação nazista, com a palavra Heil projetada antes do logotipo da Tesla, formando o letreiro "Heil Tesla" – clara referência à expressão Heil Hitler ("salve Hitler") utilizada pelos membros do regime nazista e seus apoiadores. Foto: RS/Fotos Públicas
GEOPOLÍTICA

O que é neofascismo e como debater com a direita

Crise do capitalismo gera violência contra pobres

Para entender o que é neofascismo, é preciso olhar para a economia. Ele nasce quando o capitalismo entra em crise, gerando miséria e desigualdade. Com mais pobreza, a criminalidade aumenta — é assim em todo canto, desde que se conhece a civilização. Em vez de combater a concentração do dinheiro, que é a raiz do problema, a extrema direita usa a violência extrema contra os mais pobres. O objetivo é espalhar o terror nas periferias para controlar a população pelo medo. Assim, os ricos continuam ganhando tudo, e os trabalhadores seguem explorados sem se revoltar.

A falsa moral e o laboratório das Américas

Para justificar essa violência, os neofascistas se chamam de “conservadores”. Essa falsa moral é usada como escudo, sobretudo utilizando dogmas religiosos, como a falsa discussão sobre sexualidade. Mas o objetivo é  atacar qualquer grupo que ameace a ordem social. Pesquisadores do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social apontam que a extrema direita cria pânico na sociedade para criminalizar os movimentos populares. O sociólogo estadunidense John Bellamy Foster explica que inventam o delírio do “marxismo cultural” para justificar a perseguição a essas pautas.

Nas Américas, esse modelo tem rostos conhecidos e se apoia na força policial. Nos Estados Unidos, Donald Trump lidera esse movimento global, usando a guerra contra o narcotráfico creditado aos imigrantes e a militarização das fronteiras como ferramentas de controle social. No Brasil, Jair Bolsonaro aplicou a mesma cartilha: exaltou a letalidade policial nas favelas e armou sua base para intimidar opositores, mantendo intactos os privilégios da elite financeira.

Na Argentina, Javier Milei combina um ultraliberalismo que destrói salários com um protocolo de segurança que criminaliza e reprime violentamente qualquer protesto social. No Chile, José Antonio Kast resgata a nostalgia da ditadura de Augusto Pinochet, prometendo ordem e repressão implacável contra “o crime”. Em todos esses casos, a política do “prendo e arrebento” funciona para exterminar a classe trabalhadora marginalizada e proteger o capital.

A matriz europeia e a fúria contra os imigrantes

Se nas Américas o neofascismo usa o crime urbano como desculpa para a violência do Estado, na Europa o ódio tem outro alvo: os imigrantes. O sociólogo franco-brasileiro Michael Löwy explica que, no continente europeu, o estrangeiro é escolhido como o culpado pela crise econômica.

O maior exemplo dessa tática é Marine Le Pen, na França. Ela e seu partido culpam os imigrantes, especialmente os muçulmanos e os povos do sul global, pelo desemprego e pela piora nos serviços públicos. A lógica, porém, é a mesma usada por Trump ou Bolsonaro: desviar a atenção da desigualdade gerada pelos super-ricos. Ao espalhar o ódio contra os refugiados, Le Pen protege os grandes bancos e empresas, jogando o trabalhador local contra o trabalhador estrangeiro.

Como reconhecer e debater com um neofascista

Enfrentar esse discurso exige método. O pesquisador Yuri Martins-Fontes define o neofascismo atual como antinacionalista (porque entrega as riquezas do país a empresas estrangeiras), ultraliberal na economia e racista na prática.

Para debater com um neofascista, a regra de ouro é não cair na armadilha do pânico moral. Quando a pessoa atacar minorias ou usar o crime para pedir assassinatos cometidos pela polícia, mude o foco para a economia e a desigualdade. Pergunte quem lucra com a privatização de serviços essenciais. Mostre que a violência policial só atinge os bairros pobres, e nunca os ricos que financiam o crime organizado. O antídoto contra o fascismo é expor a sua verdadeira função: ser o cão de guarda de um sistema que explora a maioria para enriquecer poucos.


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