Para entender o que é neofascismo, é preciso olhar para a economia. Ele nasce quando o capitalismo entra em crise, gerando miséria e desigualdade. Com mais pobreza, a criminalidade aumenta — é assim em todo canto, desde que se conhece a civilização. Em vez de combater a concentração do dinheiro, que é a raiz do problema, a extrema direita usa a violência extrema contra os mais pobres. O objetivo é espalhar o terror nas periferias para controlar a população pelo medo. Assim, os ricos continuam ganhando tudo, e os trabalhadores seguem explorados sem se revoltar.
A falsa moral e o laboratório das Américas
Para justificar essa violência, os neofascistas se chamam de “conservadores”. Essa falsa moral é usada como escudo, sobretudo utilizando dogmas religiosos, como a falsa discussão sobre sexualidade. Mas o objetivo é atacar qualquer grupo que ameace a ordem social. Pesquisadores do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social apontam que a extrema direita cria pânico na sociedade para criminalizar os movimentos populares. O sociólogo estadunidense John Bellamy Foster explica que inventam o delírio do “marxismo cultural” para justificar a perseguição a essas pautas.
Nas Américas, esse modelo tem rostos conhecidos e se apoia na força policial. Nos Estados Unidos, Donald Trump lidera esse movimento global, usando a guerra contra o narcotráfico creditado aos imigrantes e a militarização das fronteiras como ferramentas de controle social. No Brasil, Jair Bolsonaro aplicou a mesma cartilha: exaltou a letalidade policial nas favelas e armou sua base para intimidar opositores, mantendo intactos os privilégios da elite financeira.
Na Argentina, Javier Milei combina um ultraliberalismo que destrói salários com um protocolo de segurança que criminaliza e reprime violentamente qualquer protesto social. No Chile, José Antonio Kast resgata a nostalgia da ditadura de Augusto Pinochet, prometendo ordem e repressão implacável contra “o crime”. Em todos esses casos, a política do “prendo e arrebento” funciona para exterminar a classe trabalhadora marginalizada e proteger o capital.
A matriz europeia e a fúria contra os imigrantes
Se nas Américas o neofascismo usa o crime urbano como desculpa para a violência do Estado, na Europa o ódio tem outro alvo: os imigrantes. O sociólogo franco-brasileiro Michael Löwy explica que, no continente europeu, o estrangeiro é escolhido como o culpado pela crise econômica.
O maior exemplo dessa tática é Marine Le Pen, na França. Ela e seu partido culpam os imigrantes, especialmente os muçulmanos e os povos do sul global, pelo desemprego e pela piora nos serviços públicos. A lógica, porém, é a mesma usada por Trump ou Bolsonaro: desviar a atenção da desigualdade gerada pelos super-ricos. Ao espalhar o ódio contra os refugiados, Le Pen protege os grandes bancos e empresas, jogando o trabalhador local contra o trabalhador estrangeiro.
Como reconhecer e debater com um neofascista
Enfrentar esse discurso exige método. O pesquisador Yuri Martins-Fontes define o neofascismo atual como antinacionalista (porque entrega as riquezas do país a empresas estrangeiras), ultraliberal na economia e racista na prática.
Para debater com um neofascista, a regra de ouro é não cair na armadilha do pânico moral. Quando a pessoa atacar minorias ou usar o crime para pedir assassinatos cometidos pela polícia, mude o foco para a economia e a desigualdade. Pergunte quem lucra com a privatização de serviços essenciais. Mostre que a violência policial só atinge os bairros pobres, e nunca os ricos que financiam o crime organizado. O antídoto contra o fascismo é expor a sua verdadeira função: ser o cão de guarda de um sistema que explora a maioria para enriquecer poucos.
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