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Ilustração: Freepik com FLIA
ECONOMIA

Como a dívida pública subiu, mas ficou mais “leve”

Tesouro emitiu mais títulos prefixados em fevereiro

A Dívida Pública Federal passou de R$ 8,641 trilhões em janeiro para R$ 8,841 trilhões em fevereiro. O número assusta à primeira vista, mas não conta a história inteira. O aumento foi puxado sobretudo pela emissão de títulos prefixados, que são papéis com taxa definida na hora da emissão. Em português claro: o governo trocou parte da dívida por uma forma mais previsível de financiamento.

Isso importa porque a cara da dívida mudou um pouco. Ela ficou menos atrelada à inflação e aos juros e ligeiramente mais atrelada às taxas prefixadas. Na prática, isso reduz um pedaço da sensibilidade da dívida às oscilações mais imediatas da economia. Não significa que o problema desapareceu. Significa que o perfil ficou um pouco menos vulnerável do que era antes.

O número subiu. O risco não é esse que vendem por aí

A subida também foi influenciada pela apropriação de juros. Quando a Selic está alta, o custo da dívida cresce mais rápido. É por isso que Fernando Haddad vem insistindo que o problema da dívida brasileira está mais nos juros do que no déficit. E ele tem um ponto: mesmo com o estoque crescendo, o peso principal continua sendo o custo de carregar essa dívida.

Outro dado importante é que a dívida brasileira não está em trajetória explosiva, como costumam repetir influenciadores bolsonaristas nas redes sociais. O susto é retórico, não técnico. O que existe é uma dívida grande, administrável e muito sensível à taxa de juros. Isso é bem diferente de um cenário de colapso fiscal iminente.

Por que a tendência pode melhorar

Com a expectativa de queda dos juros ao longo deste ano, a relação dívida/PIB tende a melhorar. Isso acontece porque o custo de rolagem da dívida fica menor e a pressão da apropriação de juros sobre o estoque também diminui. Em outras palavras: se os juros caem, a dívida cresce mais devagar em relação ao tamanho da economia.

A composição dos títulos também ajuda a entender o quadro. Em fevereiro, a fatia de papéis prefixados subiu para 21,33%, enquanto os títulos ligados à Selic recuaram para 49,1% e os corrigidos pela inflação ficaram em 25,85%. É uma mudança pequena, mas relevante para quem olha o longo prazo.

O país continua com uma dívida alta, claro. Mas alta não é sinônimo de explosão. O que determina a velocidade do problema é, прежде de tudo, o custo dos juros. E é aí que mora a discussão séria — não no terror econômico vendido em vídeo de rede social.

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