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Movimentação na rodoviária do Plano Piloto, em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
VIDA

Tarifa zero pode injetar R$ 60 bi na economia

Gratuidade de ônibus funcionaria como salário indireto

A adoção da tarifa zero no transporte público das 27 capitais brasileiras poderia injetar R$ 60,3 bilhões por ano na economia e produzir um impacto social comparável ao que o Bolsa Família gerou duas décadas atrás. A conclusão é de um estudo divulgado nesta terça-feira (5) por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que analisaram dados de mobilidade urbana, renda e consumo.

Medida funcionaria como “salário indireto”

Coordenada pelo professor Thiago Trindade, do Instituto de Ciência Política da UnB, a pesquisa afirma que a tarifa zero não é apenas uma política de transporte, mas uma política de renda. Ao eliminar o gasto compulsório com ônibus, metrô e trens, especialmente para trabalhadores de baixa renda, a medida devolve liquidez imediata a famílias que destinam parte significativa do orçamento ao deslocamento diário.

“Estamos falando de uma injeção de liquidez imediata no bolso das famílias brasileiras”, afirmou Trindade.

Segundo ele, ao converter gastos com passagens em renda disponível, o Estado estimula o consumo e aumenta a arrecadação sobre produtos — efeito clássico dos programas de transferência de renda.

Redução de desigualdades raciais e territoriais

A pesquisa destaca que a tarifa zero beneficia sobretudo populações negras, moradores de periferias urbanas e trabalhadores precarizados, que dependem intensamente do transporte público. Por isso, os pesquisadores defendem que o direito ao deslocamento gratuito deveria ser tratado como política social, nos moldes do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Educação Pública.

O estudo descontou 24,38% das gratuidades já existentes — idosos, estudantes e pessoas com deficiência — o que representa R$ 14,7 bilhões já circulando na economia. Assim, a injeção líquida estimada seria de R$ 45,6 bilhões.

Possíveis fontes de financiamento

Uma das propostas apresentadas pelos pesquisadores da UnB no ano passado prevê substituir o atual modelo de vale-transporte por um sistema contributivo, envolvendo empresas públicas e privadas com dez ou mais funcionários. O desenho permitiria que 81,5% dos estabelecimentos ficassem isentos, reduzindo resistências políticas.

“A gente tem como fazer um programa de tarifa zero sem onerar o orçamento da União”, reforçou Trindade.

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