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combate ao crime organizado
Presidente Lula discursa no lançamento do programa Brasil contra o Crime Organizado: governo criará o Ministério da Segurança Pública assim que o Senado aprovar a PEC. Foto: SEAUD/PR
VIDA

Combate às facções até nos prédios luxuosos

Novo programa mira finanças do crime organizado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta terça-feira (12) o programa Brasil Contra o Crime Organizado, um pacote que promete injetar até R$ 11 bilhões no combate aos criminosos. Com direito a discurso afiado, Lula deixou claro que a polícia não vai mais olhar apenas para a favela.

“O crime organizado está no 15º andar de um apartamento, olhando da cobertura a ação da polícia. Em muitos casos, está no meio empresarial, no Poder Judiciário, no Congresso Nacional, no futebol”, disparou o presidente no Palácio do Planalto.

O programa é dividido em quatro pilares que cutucam exatamente onde o crime organizado mais sangra: asfixia financeira, sistema prisional, esclarecimento de homicídios e combate ao tráfico de armas. Do montante total, R$ 1,06 bilhão já está carimbado para investimentos diretos em 2026, sendo R$ 388,9 milhões para secar o dinheiro do crime, R$ 330,6 milhões para presídios, R$ 201 milhões para solucionar assassinatos e R$ 145,2 milhões para estancar o fluxo de armas ilegais. Os outros R$ 10 bilhões, provenientes do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS), serão destinados a estados e municípios.

O crime de terno e gravata

O secretário nacional de Segurança Pública, Francisco Lucas Costa Veloso, cravou a nova tônica do governo: “O crime conseguiu aprender a usar gravata e CNPJ”. A declaração reflete a mudança de paradigma do programa, que prioriza inteligência e tecnologia para rastrear ativos ilícitos e desarticular a estrutura econômica das facções. A criação das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco’s) nacionais promete operações interestaduais de alta complexidade, enquanto a Polícia Federal e a PRF ganham reforço para caçar o dinheiro sujo onde ele realmente se esconde: em contas offshore, escritórios de fachada e no colarinho branco.

Lula também revelou que enviou um documento ao presidente Donald Trump convidando os Estados Unidos a colaborar no combate ao crime organizado, entregando criminosos brasileiros refugiados em solo americano e combatendo o tráfico de armas. Uma medida que expõe a hipocrisia do “livre mercado” de armas norte-americano, que abastece as facções brasileiras enquanto o Tio Sam faz vista grossa.

Presídios e inteligência penal

No sistema prisional, o governo promete transformar 138 unidades estratégicas em fortalezas de segurança máxima, com bloqueadores de sinal de celular, scanners corporais e drones. A criação do Centro Nacional de Inteligência Penal (CNIP) busca integrar informações para neutralizar a capacidade de articulação das facções dentro das cadeias.

Para quem duvida, o vice-presidente Geraldo Alckmin deixou o recado:

“A única política de segurança no mandato anterior era liberar e distribuir armas, e isso acaba na mão de bandidos”.

O programa também prevê a criação do Ministério da Segurança Pública, que depende apenas da aprovação da PEC 18/25 pelo Senado.

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