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palco de Malafaia
Malafaia no palco da Marcha para Jesus promovendo políticos investigados por todo tipo de corrupção. Foto: Reprodução Youtube
BRASIL

Trio de Malafaia sobe ao palco com a polícia de olho

Ruas, Sóstenes e Isquierdo acumulam suspeitas e escândalos

Embora vendido como manifestação religiosa, o que se viu na “Marcha para Jesus”, no Rio de Janeiro, foi a repetição repugnante do projeto político de Silas Malafaia. O pastor transformou o evento público em vitrine para três aliados diretos envolvidos em escândalos: Douglas Ruas, Sóstenes Cavalcante e Alexandre Isquierdo. Todos subiram ao palco com a bênção do pastor. Todos carregam investigações, suspeitas e contradições que nenhum sermão apaga.

Ruas tenta ser governador com eleição anulada

O deputado estadual Douglas Ruas (PL-RJ), presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e pré-candidato ao governo do estado, foi o nome mais impulsionado por Malafaia. Ruas teve sua eleição na Alerj anulada pelo Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) por irregularidades no processo de votação.

Além disso, a Folha revelou transações suspeitas envolvendo empresas controladas por ele e por sua mulher. A Saur Construção, da qual Ruas detém 90%, participou de compras milionárias atípicas, incluindo um precatório de uma anistiada da ditadura. O caso levantou questionamentos sobre uso indevido de estrutura empresarial e favorecimentos políticos.

Sóstenes tenta explicar dinheiro vivo sem convencer PF

O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara e íntimo de Malafaia, enfrenta a investigação mais explosiva do trio. Em dezembro de 2025, a Polícia Federal apreendeu R$ 469,7 mil em dinheiro vivo no apartamento do parlamentar, guardados em um armário. Sóstenes afirmou que o valor vinha da “venda de um imóvel”, mas a justificativa não convenceu os investigadores.

Ele segue investigado por lavagem de dinheiro, movimentações incompatíveis e negócios imobiliários opacos. O caso virou símbolo do moralismo seletivo do bolsonarismo evangélico.

Isquierdo carrega histórico de ações por improbidade

Apadrinhado por Malafaia, o ex-vereador Alexandre Isquierdo (União Brasil-RJ) tem histórico de ações de improbidade administrativa, denúncias de irregularidades em gabinete e suspeitas de práticas de rachadinha. A aposta da Advec é colocá-lo na Alerj após a saída de Samuel Malafaia, irmão do pastor.

Usando o palco, Malafaia atacou adversários: “Não é possível homens maus estarem no controle da nação.” O contraste com os aliados investigados que o cercavam expôs a contradição central: o discurso moralista não resiste à luz do dia.

Em tempo: o candidato neofasicta à presidência, Flávio Bolsonaro, foi convidado, mas não compareceu. Anda indisposto desde que foi flagrado pedindo (e recebendo!) dinheiro do banqueiro mais corrupto do Brasil, Daniel Vorcaro, do falido Banco Master. Flávio Bolsonaro ainda é o candidato apoiado pelos mercadores de fé associados a Malafaia.

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