R$ 400 mil em sacola de Sóstenes, braço de Malafaia, em operação contra corrupção

Operação Galho Fraco investiga desvio de verba parlamentar através de contratos falsos com locadoras de veículos

Por Redação

A Polícia Federal deflagrou hoje de manhã a “Operação Galho Fraco”, expondo um suposto esquema de corrupção no coração da bancada da extrema-direita no Congresso. Os alvos são os deputados federais Sóstenes Cavalcanti e Carlos Jordy, ambos do PL do Rio de Janeiro. A ação, que investiga o desvio de dinheiro público de cotas parlamentares, teve seu momento mais chocante na apreensão de mais de R$ 400 mil em dinheiro vivo, encontrados em uma sacola preta dentro de um armário em um endereço ligado a Sóstenes Cavalcanti.

Dinheiro na sacola e contratos falsos

Segundo informações confirmadas pela TV Globo, o montante em espécie foi um dos principais achados da operação. O dinheiro estava escondido, evidenciando uma tentativa de ocultar os valores.

A investigação apura como os deputados usavam a cota parlamentar – um valor extra, além do salário, destinado a cobrir despesas do mandato, como passagens e hospedagem – para fins ilícitos. A suspeita é que eles utilizavam contratos falsos com locadoras de veículos para desviar os recursos e praticar lavagem de dinheiro. Ao todo, a PF cumpre sete mandados de busca e apreensão para aprofundar as investigações.

O pastor, o radical e a hipocrisia

O escândalo atinge em cheio a cúpula do bolsonarismo e da direita religiosa. Sóstenes Cavalcanti não é um deputado qualquer; ele é o líder da bancada do PL na Câmara e considerado o principal braço político do pastor Silas Malafaia, uma das vozes mais influentes do conservadorismo brasileiro. Carlos Jordy, por sua vez, é conhecido por suas posições radicais e pela defesa ferrenha do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A operação expõe a profunda hipocrisia de um grupo político que se elegeu com um discurso de combate à corrupção e de defesa da “moral e dos bons costumes”. Enquanto publicamente pregam austeridade e honestidade, nos bastidores, segundo a PF, estariam envolvidos em um esquema clássico de desvio de dinheiro público. A imagem de uma sacola com R$ 400 mil em dinheiro vivo, ligada a um dos principais líderes da bancada evangélica, é o retrato devastador da contradição entre o púlpito e a prática.

Fale conosco