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briga Michelle e Flávio
Eduardo Bolsonaro postou, Michele Bolsonaro se enfureceu, Flávio Bolsonaro ligou pra ela e esculachou: tudo porque Ciro disse que Jair Bolsonaro é ladrão. Foto: Gabriela Biló/Folhapress
BRASIL

Briga de família expõe a podridão do clã político

Michelle denuncia o machismo e a farsa do bolsonarismo

O vídeo em que Michelle Bolsonaro detona Flávio Bolsonaro não surgiu isolado. Ele é o desfecho de uma escalada pública provocada por uma publicação de Eduardo Bolsonaro, que compartilhou um vídeo de André Fernandes defendendo a aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará e ainda mandou um recado à madrasta: “não se faz política com o fígado”.

O que parecia mais uma troca de farpas sobre palanque regional virou a origem de uma ligação de Flávio para Michelle e, depois, de um relato público de humilhação feito pela ex-primeira-dama.

No post, Eduardo Bolsonaro atrelou a aliança com Ciro Gomes à possibilidade de obter “1 voto” para a aprovação da anistia de Jair Bolsonaro. Em seguida, elogiou Jair Bolsonaro e André Fernandes por, segundo ele, fazerem política com “inteligência”. O alvo implícito era Michelle, que vinha criticando o acordo com o ex-ministro no Ceará.

A publicação que Eduardo Bolsonaro respondeu também serviu para escalar a provocação. Nele, André Fernandes reafirma que vota em Ciro Gomes, descarta Eduardo Girão e reage às críticas de Michelle. Ao ser provocado sobre a ex-primeira-dama, o deputado diz que ela “faz o que ela quiser” e mantém o apoio ao cearense.

Foi depois dessa sequência que, segundo Michelle, Flávio Bolsonaro a procurou por telefone. No vídeo publicado por ela, a ex-primeira-dama afirma que o senador foi ríspido, a desrespeitou e a maltratou durante a conversa. Ela também disse ter entendido que seu apoio à pré-candidatura presidencial dele era considerado irrelevante.

A frase mais danosa para Flávio Bolsonaro não é apenas a acusação de grosseria. É o sentido político que Michelle atribuiu à conversa. Ao dizer que foi tratada como alguém que “chegou ontem” e não entende de política, ela transformou a disputa sobre Ciro Gomes em uma denúncia de desprezo pela principal liderança feminina do bolsonarismo.

O estrago é maior porque Michelle não fala apenas como madrasta. Ela fala como presidente do PL Mulher, liderança evangélica e figura que construiu parte da ponte do bolsonarismo com mulheres conservadoras. A tentativa de enquadrá-la como alguém movida pelo “fígado” bate exatamente no eleitorado que vê nela fé, lealdade e autoridade moral.

Com isso, a postagem que pretendia justificar a aliança com Ciro Gomes acabou produzindo o efeito contrário. Em vez de isolar Michelle, abriu caminho para que ela expusesse publicamente a falta de unidade do clã e atingisse Flávio Bolsonaro no ponto mais sensível de sua campanha: a tentativa de herdar o capital político de Jair Bolsonaro sem perder o apoio da base feminina e evangélica.

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