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emissão de títulos panda
Representantes econômicos da China e do Brasil, incluindo o governador do Banco Popular da China, Pan Gongsheng, e o ministro da Fazenda brasileiro, Dario Durigan, oficializam a carta de intenções para a emissão de Panda Bonds. Foto: Mauro Ramos/Brasil de Fato
GEOPOLÍTICA

Lula acelera saída do dólar com títulos na China

Brasil é primeiro da América Latina a emitir títulos panda

O governo brasileiro formalizou nesta quinta-feira (25) a intenção de emitir títulos de dívida soberanos no mercado chinês, os chamados títulos panda. O Brasil é o primeiro país da América Latina a dar esse passo. A cerimônia ocorreu na sede do Banco Popular da China (BPC), em Pequim, com a presença do ministro da Fazenda, Dario Durigan, e do presidente do BPC, Pan Gongsheng.

Os juros praticados no mercado chinês são significativamente menores que os do mercado americano. Enquanto o Tesouro Nacional pagou 5,2% ao ano em títulos de cinco anos em dólar em 2025, as emissões recentes de títulos panda ficaram entre 1,70% e 2,05% ao ano. O governo planeja captar até 5 bilhões de yuans, cerca de R$ 4 bilhões.

Mas reduzir a operação a uma questão de gestão de dívida é perder o essencial. O que está em jogo é a construção de um sistema financeiro alternativo à hegemonia do dólar, articulado pelos BRICS sob liderança de Lula e Xi Jinping.

A estratégia de desdolarização

O ministro Dario Durigan foi direto ao ponto.

“Temos uma estratégia nacional e essa estratégia nacional vai ser executada independentemente de forças estrangeiras. Diferente do que alguns querem no Brasil, quem lidera um país soberano como o Brasil deve executar sua estratégia soberana, independentemente de constrangimentos do exterior”, declarou.

A emissão de títulos panda é a ponta de um iceberg. No dia 9 de junho, Brasil e China fecharam acordos para ampliar o uso de suas moedas no comércio entre os dois países, sem depender do dólar. Também criaram um piloto para conectar os mercados financeiros dos dois países.

O yuan, moeda chinesa, já é a segunda mais usada no comércio global, segundo a SWIFT. E esse número não inclui as transações feitas pelo sistema chinês de pagamentos internacionais, o CIPS. Só em 2024, esse sistema movimentou 175 trilhões de yuans, o equivalente a R$ 136 trilhões.

O papel dos BRICS

O presidente Lula, que segundo Durigan ligou para Xi Jinping para saudar o momento, tem articulado os membros dos BRICS para criar sistemas de pagamento e financiamento alternativos ao dólar e aos títulos do Tesouro americano. A emissão de títulos panda é o exemplo mais concreto dessa estratégia.

O mercado de títulos da China é o segundo maior do mundo, com volume superior a 200 trilhões de yuans (mais de R$ 150 trilhões). Ao acessar esse mercado, o Brasil não apenas diversifica suas fontes de financiamento. Ele ajuda a construir as bases de um sistema financeiro multipolar, onde o dólar deixa de ser a única opção.

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