O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quinta-feira (25) da cerimônia que marcou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN III), em Três Lagoas (MS). O empreendimento da Petrobras, paralisado desde 2015, receberá investimentos de mais de R$ 5 bilhões do Novo PAC e deve gerar cerca de 8 mil postos de trabalho diretos e indiretos.
Em seu discurso, Lula afirmou que a produção nacional de fertilizantes é estratégica para a soberania do país.
“Estou orgulhoso porque ainda sonho que a gente vai ter acima de 70% de todo o fertilizante que nós precisamos nesse país. Porque um país jamais será soberano se ele não for dono das coisas principais que ele produz”, disse.
O presidente também questionou o abandono da obra por governos anteriores.
“Um país que é o segundo maior produtor de alimento do mundo, um país que tem tudo para ser o celeiro do mundo de verdade, por que tanta irresponsabilidade de deixar uma fábrica dessa parada?”, perguntou.
O que a UFN III representa
Quando entrar em operação comercial, prevista para 2029, a unidade terá capacidade para produzir 3.600 toneladas diárias de ureia granulada e 2.200 toneladas diárias de amônia, totalizando cerca de 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano. O volume equivale a aproximadamente 16% da demanda nacional pelo insumo.
A localização é estratégica. O Centro-Oeste responde por cerca de 40% da demanda brasileira de ureia, impulsionada pelas culturas de milho, cana-de-açúcar, algodão e pastagens. A proximidade com os polos produtores reduz custos logísticos e amplia a confiabilidade do abastecimento.
A Petrobras projeta que, com a entrada em operação das quatro unidades de fertilizantes previstas no Novo PAC (Fafen-BA, Fafen-SE, ANSA e UFN III), a estatal atenderá cerca de 35% do mercado nacional de ureia até 2029. Antes da retomada, 100% da ureia consumida no país era importada.
Soberania ou dependência?
A guerra na Ucrânia evidenciou os riscos da dependência externa ao afetar a oferta global de insumos e pressionar os preços internacionais. O governo Lula acerta ao retomar um projeto estratégico abandonado pelo Estado mínimo dos governos Temer e Bolsonaro.
Mas a Frente Livre não pode ignorar a contradição: a Petrobras, que deveria ser o braço industrial do desenvolvimento nacional, ainda opera sob a lógica do mercado financeiro, distribuindo dividendos bilionários a acionistas privados enquanto o país importa 100% da ureia que consome. A UFN III é um passo na direção certa, mas a soberania de verdade exige que a Petrobras seja mais do que uma empresa que dá lucro a acionistas.





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