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onda de calor na Europa
Na França, pelo menos 55 pessoas morreram afogadas porque foram se refrescas em áreas impróprias para banho, tentando fugir do calor escruciante. Foto: Magnific
GEOPOLÍTICA

Onda de calor causa mortes na França e na Espanha

Alemanha bate 41,3°C e Dinamarca tem maior temperatura da história

A Europa enfrenta uma onda de calor devastadora que já deixou um rastro de mortes e recordes de temperatura pelo continente. Na Alemanha, os termômetros marcaram 41,3°C perto da cidade de Saarbrücken, na fronteira com a França, o maior registro da história do país. A Dinamarca também bateu seu recorde absoluto: 37°C ao norte de Aarhus, a temperatura mais alta desde o início das medições em 1874.

O Instituto Meteorológico Dinamarquês emitiu alertas de calor extremo para quase toda a Alemanha, com previsão de máximas locais de 42°C. As autoridades pediram à população que economizasse água. Na Polônia, as temperaturas ultrapassaram 30°C em quase todo o território.

As mortes que o calor esconde

Na Espanha, ao menos 212 mortes registradas entre os dias 21 e 24 de junho podem estar associadas às temperaturas recordes, segundo estimativas do Instituto de Saúde Carlos III. O país viveu os dias mais quentes de junho desde o início dos registros meteorológicos modernos.

Na França, a situação expõe o desespero da população: 55 pessoas morreram afogadas em poucos dias ao tentar escapar do calor em rios, canais e áreas sem estrutura adequada para banho. Um menino de três anos também morreu após ficar preso no carro da família em Paris. Mais de cinquenta departamentos franceses chegaram a ficar sob alerta vermelho, uma situação sem precedentes.

O colapso da infraestrutura

O calor extremo paralisou serviços essenciais. A Deutsche Bahn, operadora ferroviária alemã, permitiu que clientes cancelassem viagens sem cobrança. Perto de Hamburgo, uma das rodovias mais movimentadas do país foi parcialmente fechada depois que o calor rachou o asfalto. Na França, o tráfego ferroviário e a geração de energia foram interrompidos. Escolas suspenderam aulas e eventos ao ar livre foram adiados.

Cientistas afirmam que a onda de calor teria sido praticamente impossível sem as mudanças climáticas causadas pelo homem. As temperaturas noturnas desta semana se tornaram 100 vezes mais prováveis do que há apenas duas décadas.

A Organização Meteorológica Mundial alerta que a Europa é o continente que aquece mais rapidamente no planeta, em ritmo superior ao dobro da média global. Mais de vinte anos após a onda de calor de 2003, que matou cerca de 80 mil pessoas, o continente prova que não aprendeu a lição.

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