A ilusão durou pouco. Com a eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega na Copa do Mundo, o país acorda para a realidade. O espetáculo acabou, e o que sobra é a rotina esmagadora da classe trabalhadora. Agora, os olhos que estavam voltados para os gramados precisam se voltar para Brasília, onde o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mantém engavetada a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1.
A PEC é a pauta mais urgente para milhões de brasileiros que vivem para trabalhar, sem direito a descanso digno ou convívio familiar. Mas, enquanto o país parava para assistir aos jogos, Alcolumbre usou o calendário esportivo e as festas juninas como pretexto para travar a tramitação da matéria. O silêncio do Senado durante a Copa não foi coincidência; foi uma manobra calculada para esfriar a pressão popular.
A gaveta de Alcolumbre
O histórico do presidente do Senado é de alinhamento com o grande capital. Enquanto janta com empresários que lucram com a exploração do trabalho ininterrupto, Alcolumbre senta em cima da PEC. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), já cobrou publicamente o andamento da proposta, mas o ritmo da Casa depende exclusivamente da caneta de Alcolumbre.
A tática do atraso beneficia diretamente os setores do comércio e de serviços, que fazem lobby pesado nos bastidores para manter a escravidão moderna da escala 6×1. Para a elite econômica, o trabalhador não precisa de fim de semana; precisa apenas de um rádio para ouvir o jogo enquanto bate ponto no domingo.
O apito final é no Senado
A derrota para a Noruega dói, mas a verdadeira derrota acontece todos os dias no chão de fábrica, nos supermercados e nos balcões de telemarketing. A Copa serviu como anestesia temporária. Com o fim do torneio para o Brasil, não há mais desculpa para o Congresso adiar o debate.
A pressão popular que lotou as ruas e as redes sociais pela aprovação da PEC precisa ser retomada com força total. Alcolumbre precisa entender que o apito final da Copa é o apito inicial da cobrança. O Senado não pode continuar operando como um puxadinho da Faria Lima. Chegou a hora de a classe trabalhadora marcar o seu gol.





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