A Medida Provisória do Frete, que há três semanas aguarda votação no Senado, virou refém de um jogo político tão claro quanto escandaloso. O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), simplesmente se recusa a pautar a matéria — e já avisou a aliados que não vai colocar em votação nenhuma pauta relevante antes das eleições. O resultado é que uma MP que beneficia diretamente milhões de brasileiros, barateando o frete e o preço dos alimentos, está prestes a caducar.
A MP 1343, que reforça a fiscalização do piso mínimo do frete, foi aprovada pela Câmara dos Deputados e agora dorme na mesa de Alcolumbre. O prazo de validade vence no dia 16 de julho. Se não for votada até lá, a medida perde efeito — e o Brasil volta à estaca zero na regulação do transporte de cargas.
Mas o presidente do Senado não parece disposto a ajudar. Em vez disso, cumpre à risca o roteiro de acordos fechados com a extrema direita: segurar qualquer pauta que possa beneficiar eleitoralmente o presidente Lula. Se a MP do Frete for aprovada, barateia a logística, reduz o preço dos alimentos e melhora a vida do trabalhador. Exatamente o tipo de resultado que Alcolumbre quer evitar a todo custo — porque dar certo para Lula é, na lógica tacanha do Centrão, “ajudar o governo”.
O padrão de sabotagem
O caso da MP do Frete não é isolado. É o mesmo personagem, o mesmo método e a mesma motivação por trás do travamento da PEC que acaba com a escala 6×1. A proposta de redução da jornada de trabalho — que beneficiaria 37 milhões de trabalhadores e tem aprovação de 80% da população — também está engavetada por Alcolumbre. A explicação nos bastidores é a mesma: se for votada antes das eleições, “renderia benefício eleitoral ao presidente Lula”.
Traduzindo: Alcolumbre prefere que o trabalhador continue se matando na escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) e que o frete continue caro, encarecendo a comida no prato do povo, a permitir que o governo Lula mostre serviço. É a consagração da lógica do “quanto pior, melhor” — mas não para o povo, e sim para a sobrevivência política do Centrão e de sua aliança com a extrema direita neofascista.
O ultimato dos caminhoneiros
O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, o Chorão, foi direto ao ponto. “Vejo com muita preocupação que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, esteja envolvido nessa briga de egos e tudo que está vindo do governo federal ele está sentado em cima. Isso não é admissível”, disparou.
Chorão deu um ultimato:
“Que coloque na pauta para ser votada agora na próxima terça-feira (15), pois a Medida Provisória caduca no dia 16. Se a MP caducar haverá paralisação nacional e o responsável por isso será Davi Alcolumbre, presidente do Senado.”
A MP trata de pontos essenciais para a categoria: a garantia do custo mínimo do frete, a autonomia da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para fiscalizar o setor, a isenção de multas aplicadas em 2022 — durante o governo Bolsonaro — e o fim das multas de entre-eixos. “Tem muitas coisas ali dentro da Medida Provisória que dá tranquilidade e segurança ao caminhoneiro”, explicou Chorão.
A farra do “não ajudo o governo”
Enquanto Alcolumbre senta em cima das pautas populares, a extrema direita comemora nos bastidores. O acordo é simples: o Centrão segura a votação de tudo que pode dar tração ao governo Lula — PEC 6×1, MP do Frete, e por aí vai — em troca de proteção. Quem perde? O povo brasileiro, que continua pagando frete caro, trabalhando seis dias por semana e vendo o Congresso virar palco de um jogo de cartas marcadas contra o próprio país.





Deixe seu comentário