O governo de Donald Trump viveu nesta quarta-feira (22) um dia de colapso simultâneo em três frentes. A Câmara dos Representantes aprovou um orçamento de US$ 95 bilhões para a guerra contra o Irã. A empresa DP World, de Dubai, anunciou a construção de portos no Golfo de Omã para contornar o Estreito de Ormuz. E a Casa Branca assinou um acordo nuclear com a Arábia Saudita que permite ao reino enriquecer urânio em seu território.
A votação na Câmara foi 216 a 214, com todos os democratas contra e apenas dois republicanos dissidentes. O pacote prevê US$ 73 bilhões para o Pentágono, US$ 12 bilhões para agricultores e US$ 10 bilhões para impor restrições eleitorais exigidas por Trump. O deputado Jodey Arrington, republicano do Texas e presidente da Comissão de Orçamento, defendeu o plano como “apoio às nossas tropas no momento de necessidade”. O líder da minoria, Hakeem Jeffries, rebateu: chamou o pacote de “esforço de desperdiçar dezenas de bilhões de dólares a mais na ‘Operação Fracasso Épico’ no Oriente Médio”.
O mundo contorna o império
No exato dia em que o Congresso liberava os bilhões, a DP World anunciou a construção de dois terminais portuários na costa leste dos Emirados Árabes Unidos, no Golfo de Omã. Os terminais de Al Rugaylat e Dibba permitirão que cargas entrem e saiam do país sem cruzar o Estreito de Ormuz. A capacidade de contêineres aumentará 13%. O Irã fechou o estreito “até o fim da interferência dos EUA na região”. Os hutis declararam bloqueio marítimo à Arábia Saudita no Mar Vermelho. O império perdeu o controle de duas das rotas navais mais importantes do planeta.
A bomba para o aliado
No mesmo dia, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, e o ministro da Energia saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, assinaram um acordo nuclear que abre a porta para Riade enriquecer urânio após dois anos. Trump cedeu à exigência saudita de não assinar o protocolo de inspeções intrusivas que vale para mais de 140 países.
A ironia é mortal. Trump foi à guerra contra o Irã com duas exigências: que Teerã pare de enriquecer urânio por duas décadas e permitisse inspeções sem restrições. Agora entrega à Arábia Saudita o mesmo direito que bombardeia o Irã por exercer. “Fiquem tranquilos, estes acordos mantêm os mais altos padrões de segurança nuclear e não proliferação”, disse Chris Wright. Henry D. Sokolski, ex-funcionário do Departamento de Defesa, respondeu: “Conceder aos sauditas o direito de produzir combustível nuclear depois do que o Irã fez é como tentar apagar um incêndio com querosene”.
Trump cortou Israel do acordo. Na gestão Biden, o acordo nuclear saudita estava condicionado ao reconhecimento diplomático de Israel. Trump separou as coisas e entregou o acordo de graça. O ex-primeiro-ministro israelense Naftali Bennett disse que o enriquecimento “pode desencadear uma corrida nuclear na região”.






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