A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, entrou nesta quinta-feira (30) com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a retirada de postagens de inteligência artificial ilegais contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ação aponta a existência de uma rede estruturada por parlamentares que apoiam o senador neofascista Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para compartilhar deep fakes — conteúdo artificial criado para prejudicar candidatos, prática proibida pela lei eleitoral.
A ação cita 32 perfis anônimos nas redes sociais, que somam 1,4 milhão de seguidores e 23,8 mil publicações. O conteúdo foi veiculado principalmente no Instagram e no TikTok. Os partidos pedem que o TSE determine a retirada das postagens e que os dados dos criadores sejam preservados para identificação dos verdadeiros autores.
“A conduta de parlamentares, com proeminente presença digital, publicarem tais conteúdos em suas páginas se traduz em um incentivo direto para a existência de perfis anônimos que possuem esse único objetivo de degradar a imagem de Lula e do Partido dos Trabalhadores”, argumentam os partidos na ação.
O relator é o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques.
A fábrica de mentiras e seus operadores
O uso de deep fake não é um desvio pontual na campanha da extrema direita. É método. Enquanto o debate público deveria girar em torno de propostas para o país — emprego, renda, educação, saúde, meio ambiente —, a militância digital bolsonarista prefere fabricar realidades paralelas com inteligência artificial.
O caso mais emblemático ocorreu na convenção do PL no Pacaembu, no sábado (25), quando foi exibido um vídeo gerado por IA simulando o ex-presidente Jair Bolsonaro declarando apoio ao filho. O conteúdo, que viola a legislação eleitoral, foi produzido e veiculado com a conivência da cúpula do partido. A defesa de Flávio Bolsonaro tentou se esquivar, comparando o deep fake a “caricatura e fantoches” — um argumento tão ridículo quanto a própria peça de desinformação.
Por que a direita aposta no deep fake
A resposta é simples: a extrema direita não tem propostas para apresentar ao eleitorado brasileiro. Não tem plano de governo, não tem realizações para defender, não tem candidato com popularidade para sustentar um debate de ideias. Flávio Bolsonaro acumula rejeição recorde, isolamento político, notas fiscais suspeitas ligadas ao Banco Master e um inquérito no STF sobre R$ 61 milhões do filme Dark Horse, rachadinha, milícia, ligação com assassino de aluguel.
Diante desse vácuo programático, a saída é tumultuar o ambiente. Criar factoides, fabricar mentiras, distorcer a realidade. O deep fake não é um excesso da campanha — é a campanha. Enquanto o eleitor não consegue distinguir o que é real do que é fabricado, o debate concreto sobre o país não acontece. E a direita ganha tempo para esconder a própria incompetência.
O TSE já proibiu a prática. O STF já questionou o uso do deep fake. A ação do PT pede a retirada do conteúdo e a identificação dos responsáveis. Resta saber se a Justiça Eleitoral vai tratar a desinformação como o crime eleitoral que ela é — ou se vai permitir que a fábrica de mentiras continue operando a pleno vapor enquanto o país tenta decidir o próprio futuro.





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