O Partido dos Trabalhadores (PT) oficializou neste domingo (2), em convenção no Expocenter Norte, em São Paulo, a candidatura à reeleição da chapa Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB). O palco era quase monocromático: o tom vermelho dominou a iluminação, o slogan da campanha e os discursos. E o presidente deixou claro que o tom da corrida de 2026 será de enfrentamento.
“Acabou o Lula paz e amor, agora é o Lula porreta”, anunciou Lula no final do discurso. A frase resume a mudança de postura do candidato, que se mostra mais à vontade para criticar governos como os de Javier Milei, da Argentina, e Donald Trump, dos Estados Unidos.
A frente ampla deste ano é maior que a de 2022. Além de PT, PCdoB e PV, que integram a Federação Brasil da Esperança, a chapa reúne Psol, Rede, PSB e PDT. Figuras que só entraram na reta final da campanha passada já participam desde o início, como Simone Tebet (PSB), Carlos Lupi, presidente do PTB, e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS).
Soberania e terra rara no centro do discurso
Lula subiu o tom no tema soberania e prometeu foco na defesa nacional.
“Esse país tem 16,8 mil km de fronteira seca, 8 mil km de fronteira marítima, além das fronteiras temos 5,7 milhões de quilômetros de água sob nossa responsabilidade. Esse país tem a maior floresta tropical do planeta, tem 12% da água doce do mundo”, disse.
O presidente foi enfático no tema das terras raras.
“Nem chinês, nem americano e nem francês vão meter o dedo nas nossas terras raras e minerais críticos”, prometeu, conectando o tema ao investimento em ciência e tecnologia. “É preciso tomar a decisão de investir mais em ciência e tecnologia, porque se a gente não investir em pesquisa, em formar cientista, a gente não vai chegar lá.”
Lula também relembrou a trajetória petista, saudou nomes como Antônio Cândido, Betinho e João Amazonas, e destacou a importância simbólica de fazer o lançamento oficial no estádio Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, cenário das greves de metalúrgicos do ABC na ditadura militar. O próximo ato público da chapa é no dia 16 de agosto, justamente na Vila Euclides.
A receita com chuchu de Alckmin
Com bom humor, o vice-presidente Geraldo Alckmin brincou sobre a permanência da chapa mista: “Há quatro anos foi lançada uma receita de sucesso e quatro anos depois ela segue nas paradas de sucesso: Lula com chuchu, vamos, presidente.”
Alckmin também alfinetou a campanha de Flávio Bolsonaro (PL):
“A urna eletrônica é tão competente que não aceita voto de argentino ou americano”, disse, em referência à presença de Javier Milei na convenção do PL. “Quem não acredita em voto popular, nem deveria ser candidato à presidência. Descrença das urnas é cheiro e fumaça de derrota.”
No Ceará, soberania e SUS
A agenda de Lula no fim de semana começou no Ceará. Na sexta-feira (31), o presidente visitou o Hospital Universitário do Ceará (HUC), em Fortaleza, e transformou a inauguração de marcos sanitários em um palanque sobre a reconstrução do Sistema Único de Saúde (SUS). Sem citar nominalmente Jair Bolsonaro, Lula afirmou que o SUS teria “sucumbido” não fosse o esforço dos profissionais de saúde durante a pandemia, classificou a condução da crise pelo governo anterior como “incompetência” e defendeu a ciência: “Estamos vivos por causa das vacinas que tomamos”.
No mesmo dia, a Federação Brasil da Esperança oficializou a candidatura à reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), com Gabriella Aguiar (PSD) como vice e Cid Gomes (PSB) ao Senado. Lula transformou o ato em defesa da soberania nacional: “Que venha ajudá-los quem quiser. O Trump, que venha. Se quiser vir o Milei, que venha. Eu não quero ajuda de fora. A única ajuda que eu quero é a ajuda do povo brasileiro para que a gente possa manter a democracia nesse país.”
Enquanto a extrema direita implode com convenções vazias, crises diplomáticas e inquéritos, Lula lança uma campanha avermelhada, com receita de sucesso, soberania no centro e a promessa de ir além das políticas sociais. O Lula porreta chegou.





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