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Presidente Gustavo Petro durante entrevista coletiva em Bogotá: o eixo neofascista EUA/Israel está roubando eleições para recolonizar América Latina. Foto: Reprodução Redes Sociais
GEOPOLÍTICA

Israel roubou a eleição da Colômbia com algoritmo e bots, diz Petro

BlackCore, firma israelense, manipulou urnas e espalhou mentiras em escala

Anote aí: no dia 4 de agosto de 2026, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, realizou uma coletiva de imprensa perante veículos de comunicação nacionais e internacionais e fez uma denúncia que deveria ter parado o mundo, mas que a grande mídia ocidental tratou com a delicadeza com que trata tudo que incomoda o eixo EUA-Israel: silêncio educado, manchete enterrada, análise superficial. Petro denunciou a existência de uma fraude eleitoral algorítmica e sistemática nas eleições presidenciais colombianas, que alterou aproximadamente sete milhões de votos para impor Abelardo de la Espriella como presidente. Sete milhões. Não é um número arredondado. É a diferença entre um país que escolheu um caminho e um país que acordou com outro imposto por algoritmo. E o algoritmo, segundo Petro, foi operado de fora. Por israelenses.

Para entender o que aconteceu na Colômbia, é preciso entender como funciona uma fraude algorítmica, e isso exige didática, porque a maioria das pessoas ainda pensa em fraude eleitoral como urna roubada, cédula trocada, mesário subornado. A fraude do século XXI não precisa de mesário. Precisa de programador.

O que é um código hash e por que sua remoção é crime

Comecemos pelo básico. Um código hash é uma assinatura digital. É um conjunto de letras e números gerado por um algoritmo matemático a partir do conteúdo de um arquivo. Se uma única vírgula for alterada no arquivo, o hash muda completamente. É por isso que o hash é usado como prova de que um documento não foi modificado depois de criado. Se você preenche um formulário, salva em PDF e gera o hash, qualquer pessoa pode verificar depois se o arquivo foi alterado: basta gerar o hash novamente e comparar. Se os dois forem iguais, o documento está intacto. Se forem diferentes, alguém mexeu.

Na eleição colombiana, os formulários E-14 são os documentos oficiais de apuração. Cada mesa de votação preenche um E-14 com os votos contados, assina, carrega no sistema do Registro Nacional e o sistema gera o PDF com o hash. A partir daí, o documento deveria ser imutável. Ninguém deveria poder abri-lo, editar e salvar novamente sem que o hash denunciassse a alteração. Mas, segundo Petro, os 120 mil documentos eleitorais carregados no sistema não possuem o código de segurança bloqueante. O responsável pelo Registro Nacional, segundo Petro, “mentiu ao público quando disse que havia um código de segurança: trata-se simplesmente de um código para identificar cada formulário, não de um mecanismo para impedir modificações.” A distinção é crucial. Um código de identificação diz qual é o formulário. Um código hash bloqueante impede que ele seja alterado. O Registro apresentou o primeiro como se fosse o segundo. E, sem o hash bloqueante, os PDFs se tornaram arquivos editáveis após a votação. Ou seja: depois que as mesas fecharam, depois que os votos foram contados, depois que os formulários foram carregados, alguém abriu os arquivos, alterou os números e salvou novamente. Sem rastro. Sem alarme. Sem prova, aparentemente. Aparentemente, porque Petro tem a prova: a ausência do hash é a prova. Um documento que deveria ter hash e não tem é um documento que foi adulterado. É a ausência que denuncia a presença do crime.

Petro afirmou que a alteração da vontade popular constitui uma perda da soberania nacional e mergulha o país numa crise constitucional. E disse a frase que resume tudo:

“Estamos diante de uma fraude, um problema institucional profundamente grave, e trata-se da posse de um presidente ilegítimo. Toda a Constituição da Colômbia desmorona e somos uma colônia. Isso coloca a Colômbia em sua pior crise de soberania nacional desde que a conquistamos com o exército de Bolívar.”

Quem é BlackCore e o que ela faz

A fraude, segundo Petro, não foi apenas técnica. Foi também de desinformação. E aqui entra a peça que conecta a Colômbia ao resto do mundo: a firma israelense BlackCore.

BlackCore se descreve como “uma empresa de influência, cyber e tecnologia de elite, construída para a era moderna da guerra de informação.” A frase é do próprio site da empresa. Guerra de informação. Não é metáfora. É serviço prestado. BlackCore é uma empresa privada israelense que vende, como commodity, a capacidade de manipular eleições em qualquer país do planeta. E não é a primeira vez que o nome aparece.

A França, por meio de sua agência de vigilância de desinformação, a Viginum, identificou BlackCore como a operadora suspeita de uma campanha de interferência digital nas eleições municipais francesas de março de 2026, visando candidatos do partido La France Insoumise, de Jean-Luc Mélenchon, que haviam criticado o genocídio de Gaza. A Reuters noticiou em 12 de junho de 2026 que a Viginum também suspeita que BlackCore tentou interferir nas eleições municipais de Nova York em 2025, nas eleições da Escócia, em Angola e em Togo. O Guardian registrou no mesmo dia. A BBC publicou reportagem sobre o caso escocês, identificando que BlackCore teria mirado o primeiro-ministro, John Swinney. A Novara Media, em 16 de junho, foi direta: “Uma empresa israelense interferiu em eleições na Escócia, em Nova York, na França, em Angola e no Togo, utilizando um grande número de contas falsas em redes sociais para atacar políticos que criticaram o genocídio de Israel em Gaza.”

Na Colômbia, segundo Petro, BlackCore operou 500 mil bots, contas falsas em redes sociais, que espalharam “milhões de mentiras” sobre o candidato de esquerda. A Novara Media, em 15 de julho, noticiou que “a firma BlackCore supostamente conduziu uma campanha de desinformação” e que “um candidato de extrema direita, pró-Israel, venceu seu rival de esquerda por uma margem de menos de 1%.” Menos de 1%. A diferen entre vitória e derrota, entre democracia e fraude, foi de menos de 1%. E 500 mil bots trabalhando dia e noite para empurrar esse 1% para o lado errado.

Petro foi direto, em sua conta no X: “As eleições foram roubadas por israelenses ricos, dirigidos por um maníaco genocida, e eles fizeram isso do exterior, alterando a votação.” O maníaco genocida é Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, responsável pelo massacre de dezenas de milhares de palestinos em Gaza. A frase de Petro não é retórica. É acusação formal de um chefe de Estado contra outro chefe de Estado, por interferência eleitoral.

A indústria israelense de guerra cibernética

Para entender o peso da denúncia de Petro, é preciso entender o que Israel construiu nas últimas três décadas. Israel é, hoje, o país que mais se dedica à guerra cibernética no mundo. Não é opinião. É fato verificável em qualquer fonte independente.

A Unit 8200 é a unidade de inteligência de sinais das Forças de Defesa de Israel, fundada em 1952. É a maior unidade militar de inteligência de Israel e uma das maiores do mundo. Seus veteranos, após cumprir o serviço militar, fundam empresas de cibersegurança, vigilância, spyware e manipulação de informação. O ecossistema israelense de guerra cibernética é, em grande parte, um braço civil da Unit 8200. O NSO Group, criador do spyware Pegasus, é o exemplo mais conhecido. O Pegasus é um software que infecta smartphones sem que o dono saiba, permite ler mensagens, ouvir chamadas, acessar câmeras e microfones, e foi vendido a pelo menos 10 governos na América Latina, África e Ásia, conforme revelado pelo Projeto Pegasus em 2021. O governo dos Estados Unidos colocou o NSO Group na lista negra em 2021. Um tribunal distrital americano ordenou em maio de 2025 que a NSO pagasse US$ 167 milhões em indenizações. Mas o dano já estava feito. O Pegasus já havia espionado jornalistas, ativistas, advogados e políticos em dezenas de países.

BlackCore é a evolução. Se o NSO Group vendia a capacidade de espiar, BlackCore vende a capacidade de manipular. Não espiona para descobrir segredos. Cria realidade falsa em escala industrial para alterar o resultado de eleições. É a privatização da guerra de informação, feita por veteranos da unidade militar de inteligência de um país que trata o resto do mundo como campo de batalha.

E o padrão é revelador. Em todos os países onde BlackCore atuou, França, Escócia, Nova York, Angola, Togo, Colômbia, o alvo era o mesmo: políticos que haviam criticado Israel, que haviam se posicionado contra o genocídio de Gaza, que haviam defendido a causa palestina. A empresa não ataca aleatoriamente. Ataca quem incomoda Israel. E, ao atacar, entrega o poder a candidatos de extrema direita, pró-Israel, alinhados com Trump e com o eixo neofascista internacional. Na Colômbia, o beneficiado foi Abelardo de la Espriella.

Quem é De la Espriella e por que ele importa

Abelardo de la Espriella é um novato político de extrema direita, admirador declarado de Donald Trump e do modelo punitivista de Nayib Bukele em El Salvador. A France 24, em 1º de junho de 2026, publicou perfil detalhado: “Um fervoroso apoiador do presidente americano Donald Trump, bem como do combate ao crime de El Salvador, De la Espriella prometeu travar uma guerra sem trégua contra grupos armados.” Seu pai, Abelardo Sr., coordenou em 2001-02 a campanha regional de Álvaro Uribe, presidente colombiano com ligações com narcotraficantes e grupos paramilitares. A maçã não cai longe da árvore.

No dia seguinte à eleição, 24 de junho, a Al Jazeera noticiou que De la Espriella “comprometeu-se a restaurar as relações com Israel”, após a Colômbia ter rompido laços diplomáticos com o país por causa do genocídio em Gaza. Ele reconheceu ter recebido uma ligação de congratulação do ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar. O homem que chegou ao poder por uma fraude supostamente operada por israelenses é o primeiro a prometer restaurar relações com Israel. O circuito fecha. A fraude entrega o poder. O poder entrega o país. E o país passa a trabalhar para os interesses de quem o roubou.

A neocolonização da América Latina

A fraude na Colômbia não é episódio isolado. É capítulo de um projeto. O governo Trump está pondo de pé, na América Latina, uma política de neocolonização que funciona assim: cada país da região é posto, um a um, a trabalhar em prol dos interesses americanos e israelenses, não dos seus próprios interesses nacionais. O método varia. Em alguns países, o instrumento é a eleição com interferência. Em outros, é o golpe institucional. Em outros, é a pressão econômica. O resultado é o mesmo: governos fantoches que obedecem a Washington e a Tel Aviv.

O cinturão já está montado. Javier Milei na Argentina, que voou a São Paulo para fazer palanque para Flávio Bolsonaro e xingar Lula de “presidiário.” Nayib Bukele em El Salvador, o modelo de ditador digital que De la Espriella cita como inspiração. Daniel Noboa no Equador. Santiago Peña no Paraguai. José Antonio Kast no Chile. Keiko Fugimori no Peru. Rodrigo Paz Pereira na Bolívia, que Trump apoia “inequivocamente” contra levantes populares. E agora De la Espriella na Colômbia, imposto por fraude algorítmica. Cada um desses governos obedece ao mesmo manual: alinhamento com Trump, alinhamento com Israel, entrega de recursos naturais, repressão interna, ataque a movimentos sociais, rompimento com o Sul Global.

A Colômbia era a peça que faltava. Petro era o presidente que rompeu com Israel por causa de Gaza, que se aproximou da China, que defendeu a soberania da América Latina, que denunciou a ingerência americana. Tirar Petro e colocar De la Espriella era a operação que completava o cerco. E a operação foi feita por algoritmo, por bots, por hash removido, por 500 mil contas falsas espalhando mentiras, por uma firma israelense que já fez o mesmo na França, na Escócia, em Nova York, em Angola e em Togo. A diferença é que, na Colômbia, não foi só desinformação. Foi alteração direta do sistema de apuração. Sete milhões de votos. O maior roubo eleitoral por software da história.

👀 Veja o vídeo com a denúncia bombástica de Gustavo Petro

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O que isso significa para o Brasil

Petro disse, na coletiva, a frase que é o alerta para o Brasil: “Pela primeira vez se desenvolve uma fraude eleitoral a partir do manejo do software e dos algoritmos. A mensagem para o mundo é que qualquer eleição pode ser manipulada por meio desse tipo de software.” Qualquer eleição. Incluindo a brasileira.

O governo Lula já identificou o risco. O ICL Notícias, em 28 de julho, noticiou que integrantes do governo e da coordenação da pré-campanha de Lula interpretam a ofensiva de Trump e Milei como tentativas de interferência estrangeira na eleição brasileira e temem que as investidas se tornem mais intensas às vésperas da votação, marcada para 4 de outubro. A preocupação é principalmente com os três ou quatro dias anteriores à eleição e com as redes sociais, devido à pressão de Trump sobre grandes empresas de tecnologia. O Washington Post revelou que Trump planejava enviar auxiliares ao Brasil para lançar dúvidas sobre a integridade do processo eleitoral. O Itamaraty negou vistos. O PL exibiu um deep fake de Jair Bolsonaro na convenção que lançou Flávio. O deputado Reimont acionou a PGR.

A pergunta que se impõe é esta: se BlackCore operou na França, na Escócia, em Nova York, em Angola, em Togo e na Colômbia, por que não operaria no Brasil? Se a firma israelense já demonstrou capacidade de manipular 500 mil bots e alterar sistemas de apuração em um país de 50 milhões de habitantes, por que não faria o mesmo em um país de 215 milhões, com a maior eleição do calendário democrático mundial em 2026? Se o objetivo do eixo EUA-Israel é completar o cinturão neofascista na América Latina, e a Colômbia caiu, por que o Brasil não cairia?

A diferença, se houver uma, dependerá de três fatores. Primeiro, a robustez do sistema eleitoral brasileiro, que é digital, auditável e com hash, mas que depende da integridade do Tribunal Superior Eleitoral. Segundo, a capacidade do governo de monitorar e neutralizar operações de desinformação em larga escala nas vésperas do pleito. Terceiro, e mais importante, a consciência do eleitorado. Se o brasileiro entender que o que aconteceu na Colômbia pode acontecer no Brasil, e se exigir transparência, auditoria e proteção do sistema, a fraude fica mais difícil. Se não entender, a fraude fica fácil. E fácil, para BlackCore, é o que se vende.

Petro fez a denúncia. O mundo ouviu. A grande mídia bocejou. Mas a denúncia está feita, com número, com nome, com método. Sete milhões de votos. 120 mil documentos sem hash. 500 mil bots. Uma firma israelense chamada BlackCore. Um presidente imposto chamado De la Espriella. Um maníaco genocida chamado Netanyahu. E um continente sendo engolido, país por país, por um eixo que não precisa mais de tanque nem de soldado para tomar uma nação. Precisa só de algoritmo, de bot e de um hash removido. A democracia do século XXI não morre com tiro. Morre com código. E o código, quando é israelense, vem com recibo da Casa Branca.

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