PF busca Castro pela 3ª vez em 3 meses

Bolsonarista da linha flaviana, ex-governador do Rio sofreu busca e apreensão

Castro operação Sem Refino
Cláudio Castro, ex-governador do Rio, é próximo de Flávio Bolsonaro. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (14) a segunda fase da Operação Sem Refino, cumprindo 16 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro. Entre os alvos está, pela terceira vez em três meses, o ex-governador Cláudio Castro (PL). A operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), apura fraudes na concessão de licenças ambientais para a refinaria Refit, antiga Manguinhos, além de lavagem de capitais e sonegação fiscal bilionária ligada a um conglomerado de combustíveis. É a terceira vez em três meses que Castro é alvo de buscas. Pego com a boca na botija.

Castro é bolsonarista da linha Flávio. Em fevereiro de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Castro anunciaram juntos a chapa do PL ao governo do Rio de Janeiro, em aliança com PP e União Brasil. A chapa bolsonarista definiu Douglas Ruas como pré-candidato ao governo e projetou Castro na disputa ao Senado. Castro é o braço de Flávio no Rio. O que acontece com Castro reflete diretamente na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

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O esquema da Refit

A refinaria Refit, de propriedade de Ricardo Magro, é tratada pelos órgãos de controle como devedora contumaz, com suspeitas de sonegação fiscal bilionária, ocultação patrimonial e evasão de divisas para o exterior. Na primeira fase da operação, em maio, a PF cumpriu 17 mandados, bloqueou cerca de R$ 52 bilhões em ativos e determinou a suspensão das atividades das empresas investigadas. Magro foi preso e teve nome incluído na Divisão Vermelha da Interpol. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, apontou “amálgama do crime” entre Castro e o esquema da Refit.

As evidências apontam que, sob a gestão de Castro, a Secretaria de Fazenda, a Secretaria de Meio Ambiente e a Procuradoria-Geral do Estado foram instrumentalizadas para atender aos interesses do conglomerado de Magro. A PF investiga “cooptação integral do estado”: Castro atuou para blindar a Refit e favorecer esquemas de sonegação. Licenças ambientais foram emitidas sem pareceres técnicos legítimos. A máquina pública foi capturada.

O padrão bolsonarista

A defesa de Castro nega irregularidades e afirma que o endereço buscado em Petrópolis não tem vínculo com o ex-governador. Argumenta que sua gestão foi a única a cobrar a refinaria, com valores estimados em R$ 1 bilhão. Os argumentos não convencem. O padrão é conhecido: usar a máquina para blindar grandes sonegadores, lucrar com a corrupção e negar tudo quando a PF bate à porta. É o roteiro do bolsonarismo fluminense, da rachadinha às milícias, agora com refinaria.