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cartazes contra Raquel
Cartaz apócrifo que amanheceu no Recife levando a campanha em Pernambuco a um nível de baixaria jamais visto. Foto: Reprodução Redes Sociais
BRASIL

Ataque covarde e criminoso contra Raquel Lyra em Pernambuco

Cartaz apócrifo espalhado pelo Recife

Cartazes com o mais maldoso dos ataques pessoais contra a governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), foram espalhados neste domingo (30) em ruas do Bairro do Recife. O material apresenta acusações absurdas e faz referência à morte do marido dela, o empresário Fernando Lucena, vítima de infarto em 2022. Uma das peças, com a foto da governadora editada para parecer uma vilã, estampa em letras garrafais: “Ela matou o marido para ganhar as eleições”. A baixaria, que já circulava no ambiente virtual, chegou às ruas do Centro do Recife e virou caso de polícia.

A dor que virou arma de campanha

Raquel registrou boletins de ocorrência nas polícias Federal e Civil. Nas redes sociais, a governadora pediu respeito à família, aos filhos e à memória do marido. “Respeite minha família, respeite meus filhos, respeite quem não está mais aqui, respeite minha dor”, afirmou. A coligação Pernambuco de Coração informou que também acionará o Ministério Público Eleitoral para que o episódio seja investigado.

A vice-governadora Priscila Krause publicou vídeo em solidariedade: “Hoje, quatro anos depois, eu sinto tristeza e indignação. Ver usarem a morte de Fernando de uma maneira tão sórdida, tão baixa, é estarrecedor”. E completou: “A política não é um vale-tudo”.

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Quem se beneficia com a baixaria?

A pergunta que precisa ser feita: quem ganha com a difamação? Espalhar material impresso em ruas do Bairro do Recife não é tarefa de militante avulso. Exige estrutura, dinheiro e logística, coisa que só campanha majoritária organizada tem. Na disputa pelo governo de Pernambuco, o principal adversário de Raquel é o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), candidato que lidera as pesquisas e que seria o grande beneficiário do descrédito da governadora.

O detalhe é que João Campos tratou de sair na frente da própria sombra. Gravou vídeo nas redes sociais condenando o expediente, classificou o material como “completo absurdo” e pediu abertura de investigação para descobrir de onde partiu o ataque covarde contra a governadora. Citou a própria experiência com a perda do pai, o ex-governador Eduardo Campos, durante uma eleição: “Eu perdi meu pai durante uma eleição. A candidata Raquel perdeu o marido durante uma eleição. Nós sabemos a dor que isso representa para uma família. Por isso, não admito que a minha família, a família dela ou a família de qualquer pessoa seja atacada ou utilizada como instrumento de disputa eleitoral. Isso ultrapassa qualquer limite da política”.

A Frente Popular de Pernambuco, coligação de João, também acionou a Justiça Eleitoral para pedir a apuração imediata da autoria dos panfletos apócrifos, repudiou a prática e avisou que qualquer tentativa de atribuir falsamente a autoria do material à campanha será alvo de medidas judiciais, inclusive na esfera criminal.

A pressa em se descolar

A pressa de Campos em condenar e pedir investigação pode ser lida de duas formas. A primeira, caridosa: o candidato, que conhece a dor de perder um pai em ano eleitoral, repudiou a baixaria. A segunda, cínica: quem disputa o mesmo eleitorado sabe que o ataque à memória de Fernando Lucena só interessa a quem briga pelo mesmo voto, e a campanha do ex-prefeito correu para se descolar antes que o dedo fosse apontado.

Sem provas, a Frente Livre não acusa ninguém. Mas registra o que a lógica eleitoral mostra: a difamação contra Raquel Lyra não nasceu do ar. Nasceu de alguma estrutura, com algum financiamento, e segue um manual antigo da política brasileira, o de destruir a reputação do adversário pelo que há de mais sagrado na vida de uma família. O caso agora está com a Polícia Federal, a Polícia Civil e o Ministério Público Eleitoral. Cabe a eles descobrir quem mandou, quem pagou e quem espalhou. E cabe ao eleitor, em outubro, lembrar quem tentou transformar a dor de uma mãe e de uma viúva em arma eleitoral.

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