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Flávio Bolsonaro ministro pai
Flávio Bolsonaro admite que, se por acaso vencer a eleição, entregará o governo ao pai golpista. Imagem: Reprodução TV Record
BRASIL

Flávio admite que, se eleito, quem governará será o pai golpista

Neofascista daria a Fazenda ou a Casa Civil ao condenado

O candidato neofascista do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmou em entrevista à TV Record neste domingo (30) que não descarta nomear o pai, Jair Bolsonaro, como ministro de um eventual governo — possivelmente da Fazenda ou da Casa Civil. Questionado pela jornalista Mariana Godoy se o ex-presidente poderia assumir um cargo no governo caso o filho seja eleito, Flávio respondeu: “Depende da vontade dele”. E afirmou que ouve a opinião do pai “em cada passo” que dá na campanha.

A declaração é um desplante sem precedentes. Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Cumpre pena em regime fechado. Está inelegível até 2060, segundo a Lei da Ficha Limpa, que prevê oito anos de impedimento eleitoral após o cumprimento da pena. E o filho quer colocá-lo no ministério.

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O plano da anistia

Não é a primeira vez que Flávio acena com a nomeação do pai. Em maio de 2026, o senador já havia afirmado que tentaria uma anistia de Bolsonaro se eleito, para que o ex-presidente pudesse “subir a rampa junto com ele” no dia da posse. A promessa de anistia para um condenado por golpe de Estado é, em si, um atentado contra a democracia. Agora, Flávio acrescenta o ministério. O plano é claro: eleger-se, anistiar o pai e entregá-lo o governo.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) enviou ofício ao ministro Alexandre de Moraes em julho para que libere “comunicação pessoal e reservada” entre Jair e Flávio Bolsonaro. O candidato diz que ouve o pai “em cada passo”. Ou seja: quem comanda a campanha não é o candidato. É o condenado.

O boneco e o fantoche

Flávio Bolsonaro chorou durante a reprodução de um vídeo de inteligência artificial emulando mensagem do pai na convenção nacional do PL. Levou palavras escritas na mão durante sabatina da Globo, imitando o que o pai fez em 2018 e 2022. O O Globo escreveu que Flávio “mente e distorce com mais convicção que o pai”. A Folha cravou que o candidato “emula o pai e acena para a base em meio a isolamento”. Flávio não é candidato. É boneco. E o boneco já avisou: se eleito, aquele que controla o fantoche virará superpoderoso ministro.

O candidato do PL está isolado, sem vice de outro partido, sem coligação e com 20% menos tempo de TV que Lula. O centrão virou as costas. Restou-lhe o apoio do presidente neofascista da Argentina, Javier Milei. E agora, o plano de entregar o governo ao pai preso. A eleição de 2026 não é entre Lula e Flávio. É entre democracia e golpe. E Flávio acabou de dizer qual é o plano.

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