O governo de Donald Trump destinou US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,3 milhões) a um programa para financiar organizações da sociedade civil que atuem contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil. A informação foi revelada pelo jornal britânico The Guardian.
O projeto brasileiro se chama “Combatendo o lawfare e a censura no Brasil”. Segundo os documentos, o dinheiro vai bancar grupos que se oponham ao que Washington chama de “excessos judiciais” e “censura” do STF.
O dinheiro e o alvo
O valor faz parte de um pacote maior de US$ 176,9 milhões em 43 projetos, quase todos voltados a pautas conservadoras e de direita. O montante equivale a 86% dos US$ 205 milhões que o Congresso americano destinou ao Fundo de Direitos Humanos e Democracia. O maior projeto prevê US$ 40 milhões para uma fundação anticomunista sediada nos Estados Unidos.
Rubio atropela o próprio Congresso
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, assinou pessoalmente um memorando para ignorar os bloqueios e liberar o dinheiro. A senadora democrata Jeanne Shaheen, principal nome da oposição no Comitê de Relações Exteriores do Senado, havia mantido dez bloqueios sobre US$ 22 milhões em recursos para o Brasil, a África do Sul e outros países.
Rubio não se importou. O Departamento de Estado formalizou a destinação nesta quarta-feira (30), poucas horas antes do fim do ano fiscal americano e do prazo para comprometer os valores. Na prática, o amalucado que atropela as leis e o Congresso para botar cabestro na América Latina.
Shaheen denunciou o desvio: o dinheiro foi aprovado de forma bipartidária para apoiar defensores de direitos humanos, e Trump o usa para “promover organizações e programas de extrema direita em democracias consolidadas”.
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A ofensiva contra Moraes e o alerta da Abin
O ataque ao STF não é novidade. No ano passado, Washington impôs sanções ao ministro Alexandre de Moraes, após campanha conduzida nos Estados Unidos pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A interferência americana no Brasil, porém, vai além dos tribunais. A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) alertou delegações da França e da Alemanha, em reunião reservada em Brasília em setembro, sobre suspeitas de interferência dos EUA nas eleições brasileiras. Segundo documentos analisados pela agência Reuters, as ações americanas vão “da instrumentalização do sistema jurídico à interferência admitida abertamente”.
Ou seja: Washington financia grupos contra o STF, sanciona ministros e ainda tenta influenciar o resultado das urnas. Tudo às claras, com o aval do amalucado de plantão. E o império ainda se diz defensor da democracia.
