O candidato fascista do Partido Liberal (PL) à Presidência, Flávio Bolsonaro, quer mudar a Constituição para ficar cinco anos no cargo — e quer que a regra valha já para ele. “Não tem que valer só para o futuro. Para mim, tem que valer já no meu mandato. Se serão quatro ou cinco anos, se também vai valer para governador e prefeito, isso o processo legislativo é que vai definir”, disse o candidato.
A PEC do chefe
“Mais do que um compromisso, eu assinei a PEC, sou autor da PEC e vou usar o capital político que um presidente recém-eleito tem para conseguir aprová-la no Congresso”, declarou. Um dia antes, o filho do presidente golpista deixara escapar, num discurso, a seguinte afirmação:
“Pra desespero deles, vai ser o sim fim da era Lula e a gente vai ficar por décadas no poder […] com o presidente Bolsonaro do meu lado, ele vai subir aquela rampa junto comigo.”
Ou seja, ele quer um mandato maior para si mesmo e afirma que ficará no poder por décadas. Isso, se vencer a eleição, claro.
A proposta é a peça de abertura do pacote de mudanças que ele prometeu na terça-feira (6), em Goiânia, ao lado do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) — o mesmo que o chamou de “ladrão” dias antes — e do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos): “Já temos maioria no Senado e na Câmara, para a gente mudar a Constituição para redemocratizar o país”.
A constituição do bolsonarismo
Na boca do bolsonarismo, “redemocratizar” é rasgar direitos. A Nova Constituição defendida pelo candidato inclui o marco temporal — senha para o desmatamento, a ocupação de terras indígenas e o garimpo que explodiram na Amazônia, no Pantanal e no Cerrado durante o governo de Jair Bolsonaro —, a redução da maioridade penal, a escala 7×0, que esvazia a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), e a PEC da Bandidagem, que impediria até a investigação de crimes de deputados e senadores. A proposta, aprovada na Câmara com 344 votos contra 133, só caiu no Senado depois que o povo foi às ruas.
O mesmo candidato promete cortar R$ 190 bilhões, com o Farmácia Popular fora do plano — o programa que garante remédio gratuito a 27 milhões de pessoas —, e a desvinculação das aposentadorias do salário mínimo é o sonho da própria equipe econômica dele.
O fogo da base
A militância que o segue mostra o método: na noite de quarta-feira (7), um incêndio atingiu a Diretoria de Inovação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o terceiro na universidade em uma semana, um dia após ato estudantil contra o candidato, com ameaças de “explodir o departamento” em nome dele. O deputado federal eleito Jones Manoel pediu investigação imediata à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal.
O mandato de cinco anos é a cereja do projeto: a Constituição sob medida para o chefe, o tesouraço para o povo e o fogo para quem resiste. Votar em Flávio é entregar a Carta, o remédio e a universidade. O Brasil tem 20 dias para impedir.
