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ECONOMIA

A batalha no STF: depoimentos no caso Master selam derrota de Toffoli

Após recuo estratégico, ministro assiste Polícia Federal conduzir as oitivas que podem definir o futuro da investigação de fraude bilionária

O Supremo Tribunal Federal (STF) foi o palco, nesta terça-feira (30), de uma batalha decisiva na guerra em torno do Banco Master. Em depoimentos separados que duraram horas, o sócio do banco, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, ficaram frente a frente com a delegada responsável pela investigação da fraude de R$ 12,2 bilhões.

Aliás, até este momento, Vorcado depôs por duas horas e meia. O depoimento do ex-presidente do BRB começou no fim da tarde. O diretor de Fiscalização do BC deporá assim que este acabar.

O dia, no entanto, representou mais do que um avanço processual; ele selou uma derrota contundente para o ministro Dias Toffoli. Após um recuo estratégico, Toffoli foi forçado a devolver à Polícia Federal o poder de decidir sobre a realização de uma acareação entre os depoentes.

A manobra inicial do ministro, que havia determinado o confronto de ofício, foi vista como uma tentativa de pressionar o diretor do BC a explicar os tempos da liquidação do Banco Master. O problema todo é que havia uma proposta de compra à mesa e o Banco Central simplesmente a desconsiderou, apressando o fechamento do banco.  

O recuo de Toffoli não aconteceu no vácuo. Foi uma resposta direta à “revolta dos bancões“, uma reação unificada e sem precedentes do sistema financeiro que, em nota conjunta, defendeu a autonomia do Banco Central e a legitimidade da liquidação do Master. A mensagem era clara: o mercado não aceitará uma reviravolta. Em bom português, a banca nacional não quer a reversão da liquidação do Master nem sua venda a um novo dono. Prefere pagar os R$ 40 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) do que isso. 

Enquanto isso, a outra frente da guerra de narrativas, que tentou usar um contrato não assinado para criar uma cortina de fumaça ao incluir o ministro Alexandre de Moraes num eventual lobby contra a liquidação do Master, também se dissipou, com o arquivamento do caso pela PGR.

Assim, os depoimentos de hoje ocorreram sob uma nova correlação de forças. Vorcaro, o primeiro a falar por cerca de 2h30, não encontrou o cenário que sua defesa talvez esperasse. Ailton de Aquino Santos, o diretor do BC, depôs não mais sob a pressão de uma acareação forçada, mas na condição de testemunha, com sua autoridade técnica respaldada pelo mercado.

Agora, caberá à delegada Janaína Palazzo, que conduz as investigações sobre a venda de carteiras de crédito falsas ao BRB, decidir se há contradições que justifiquem um confronto. A decisão de Toffoli foi revertida, e o poder, neste capítulo da guerra, voltou para as mãos da Polícia Federal.

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