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ECONOMIA

Toffoli resiste à pressão para deixar caso Banco Master

Ministro do STF enfrenta críticas e alegações de conflito de interesses, mas se recusa a abandonar a relatoria do inquérito.

Em meio a uma tempestade de críticas e questionamentos sobre sua imparcialidade, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), comunicou a seus interlocutores que não pretende se afastar da relatoria do inquérito que investiga possíveis fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A informação, divulgada pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, expõe a firmeza do ministro em meio à crescente pressão interna.

Toffoli tem sido alvo de críticas vindas de diversos setores, incluindo a Polícia Federal (PF), o Banco Central e a Procuradoria-Geral da República (PGR). As críticas giram em torno de decisões consideradas incomuns, como a imposição de sigilo rigoroso à investigação, a realização de uma acareação durante o recesso do tribunal e as constantes mudanças sobre a custódia e o acesso às provas.

Um dos pontos mais recentes de controvérsia foi a escolha dos peritos responsáveis por analisar o material apreendido. Toffoli nomeou quatro profissionais de sua confiança, enquanto a PF defende que a prerrogativa de definir os nomes seria da própria instituição.

A defesa de Toffoli

Apesar das críticas, Toffoli se mantém irredutível. Ele argumenta que não se enquadra nas hipóteses legais de impedimento ou suspeição previstas no Código de Processo Penal. Segundo o ministro, não há motivo de foro íntimo para se declarar suspeito, e as situações apontadas por seus críticos não comprometem sua imparcialidade.

Toffoli também ressalta que, caso deixasse a relatoria, todas as decisões já tomadas seriam automaticamente anuladas, o que forçaria a investigação a retornar ao ponto de partida, invalidando depoimentos, acareações e mandados de busca já cumpridos. Uma reviravolta que, segundo ele, não seria benéfica para o andamento do caso.

O silêncio no STF

Enquanto a polêmica ganha força, o presidente do STF, Edson Fachin, permanece em silêncio sobre as condutas de Toffoli e do ministro Alexandre de Moraes. Moraes também entrou no radar após a revelação de um contrato milionário do escritório de advocacia de sua esposa com o Master, o que ele nega ter influenciado sua atuação.

Nos bastidores do STF, a saída de Toffoli da relatoria chegou a ser considerada um cenário provável. No entanto, o ministro parece disposto a resistir à pressão e manter-se à frente do caso.

Reportagens da Folha de S.Paulo e de O Estado de S.Paulo também revelaram conexões entre um resort no Paraná, pertencente a parentes de Toffoli, e fundos de investimento associados ao esquema investigado. Esses vínculos são citados como um elemento adicional de desgaste da relatoria.

Caso a saída de Toffoli se concretizasse, o inquérito seria redistribuído por sorteio a outro ministro do STF. A defesa de Daniel Vorcaro, controlador do Master, estaria trabalhando para que o processo ficasse sob a relatoria do ministro Nunes Marques.

A novela do caso Banco Master está longe de terminar. Resta saber se Toffoli conseguirá se manter à frente da investigação, ou se a pressão interna e externa o fará ceder. O futuro do inquérito, e a busca por justiça, dependem do próximo capítulo desta história.

Fonte: Agência Brasil

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