A já intensa guerra de poder em torno da liquidação do Banco Master ganhou um novo e explosivo capítulo. A revelação de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, participou de um jantar na mansão do dono do banco, Daniel Vorcaro — a época, cliente da banca de advocacia da esposa do ministro, a advogada Viviane Barci Moraes, com um contrato de R$ 129 milhões –, joga gasolina no fogo da disputa que se desenrola nos bastidores de Brasília.
A notícia, divulgada neste domingo (28) pelo jornalista Lauro Jardim, no jornal O Globo, serve como uma arma poderosa na ácida guerra de bastidores travada em torno da liquidação do Master. Se antes a batalha era travada em termos técnicos e políticos, agora ela ganha o contorno de um potencial conflito de interesses no mais alto escalão do Judiciário.
Este novo fato acirra a “guerra de gigantes” que já estava em curso. De um lado, os grandes bancos, que na última semana fecharam o cerco em defesa da atuação do Banco Central, vendendo a ideia de que a liquidação do Master foi um saneamento necessário do mercado. Do outro, os interesses contrariados pela quebra, que agora podem argumentar que o sistema não é tão imparcial quanto parece.
O jantar, ocorrido no segundo trimestre de 2024, contou também com a presença de políticos poderosos do Centrão, demonstrando a teia de relações que Vorcaro construiu em Brasília. Embora as conversas tenham sido descritas como amenas, a simples presença do ministro em um evento social promovido por uma figura que já era investigada pela Polícia Federal desde março daquele ano, lança uma sombra sobre o caso.
STF: o palco da batalha
Paradoxalmente, é no STF que a batalha se desenrola com mais intensidade. Sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, o processo que apura fraudes de até R$ 17 bilhões no Master terá um momento decisivo na próxima terça-feira (30). Toffoli manteve a realização de uma acareação que colocará frente a frente o dono do banco, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino.
A audiência, um pedido da defesa de Vorcaro, é uma tentativa clara de encontrar falhas na atuação do BC, que em setembro vetou a venda do Master ao BRB, selando o destino da instituição.
Enquanto a revelação sobre Moraes gera uma crise política – com a oposição já se movimentando por um pedido de impeachment -, a frente jurídica da disputa se concentra na caneta de Toffoli. A liquidação, decretada pelo BC em 18 de novembro após a prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero, é agora o objeto de uma complexa disputa que mistura direito, política e uma guerra de narrativas entre os homens mais poderosos do país.
Fonte: com informações do Brasil de Fato e da Agência Brasil






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