O horror da guerra encontra um novo e perverso aliado: a gamificação da morte. Sob o comando do líder neofascita Donald Trump, a Casa Branca e o Pentágono converteram a tragédia da “Operação Epic Fury” em um espetáculo de escárnio digital. Enquanto 1.230 civis iranianos jazem sob escombros, incluindo 168 meninas mortas no ataque a uma escola infantil, os perfis oficiais do governo dos EUA inundam as redes sociais com memes, vídeos inspirados em filmes de Hollywood e estéticas de videogames, vendendo o extermínio de seres humanos como se fosse uma partida de Call of Duty.
A barbárie viral: sangue transformado em likes
A estratégia é tão sofisticada quanto cruel. Vídeos de 15 a 60 segundos, que já acumulam dezenas de milhões de visualizações no X, TikTok e Instagram, misturam imagens reais de ataques de drones com computação gráfica. Em um dos conteúdos mais chocantes, o personagem Bob Esponja aparece rindo sobre explosões em instalações iranianas com a legenda debochada: “Querem me ver fazer de novo?!”.
Outros vídeos utilizam o contador de “kills” (mortes) típico de jogos de tiro enquanto um caça F-35 persegue alvos reais. Até mesmo animações da Disney Pixar, como o personagem de Elio, são subvertidas para simular o “toque” em telas que detonam hospitais e escolas. Para o público “MAGA” e os jovens cooptados pela estética da extrema direita, a guerra deixou de ser uma tragédia geopolítica para se tornar entretenimento niilista.
O eco de Goebbels: a pedagogia da desumanização
Não se trata apenas de mau gosto, mas de uma tática sistemática de desumanização que encontra paralelo direto na máquina de propaganda de Joseph Goebbels. Assim como o ministro nazista retratava judeus e inimigos como “vermes” em cartoons para justificar o Holocausto, a atual administração estadunidense transforma meninas iranianas em “pontos no placar”.
Goebbels usava o humor sádico para anestesiar a empatia da população alemã. Hoje, a Casa Branca repete a fórmula: ao tratar hospitais bombardeados como power-ups de um jogo e mortes reais como imagens de arquivo recicladas, o governo Trump busca sufocar qualquer consciência crítica. A vítima é despojada de sua humanidade até se tornar um pixel descartável em uma narrativa presunçosa e dominadora.
Enquanto os memes viralizam nas redes sociais, a realidade no solo iraniano revela uma crueza insuportável, marcada pelo massacre na escola Shajareh Tayyebeh, em Minab, que foi atingida por três mísseis em pleno horário de aula. O episódio, já classificado pela UNESCO como crime de guerra, resultou na morte de mais de uma centena de meninas com idades entre 7 e 12 anos, somando-se a um cenário de colapso hospitalar onde treze unidades foram atingidas e médicos da OMS são forçados a operar em tendas sem suprimentos básicos.
Em meio a essa crise humanitária galopante, prevalece o silêncio dos agressores, com postagens oficiais que celebram a força bruta sem mencionar nomes, rostos ou as histórias das vítimas. Até mesmo as baixas do lado americano, com a confirmação de seis soldados mortos, são tratadas com uma tristeza superficial pelo General Caine, jamais alcançando o protagonismo conferido aos vídeos épicos que exaltam a tecnologia de destruição.
A Injustiça Gamificada
Ao trocar a diplomacia pela promoção da morte usando games de guerra de múltiplos jogadores, Trump mergulha o mundo em uma era onde o extermínio do “outro” é celebrado com um emoji de risada. Por trás de cada explosão “cool” no TikTok, existe o choro inconsolável de famílias em Teerã e o sangue de crianças que nunca verão o amanhã. A propaganda de guerra mudou de formato, mas o cheiro de enxofre permanece o mesmo.






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