Lula assume a culpa pela abstenção recorde

Direita culpa o sistema; Lula assume: "a responsabilidade é nossa"

Por Frente Livre
abstenção recorde
Ao lado da senadora eleita Marília Arraes e do vice Geraldo Alckmin, o presidente Lula fala na reunião de coordenação da campanha, em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na noite desta segunda-feira (5), em reunião da coordenação de sua campanha, que reconquistar os 33,4 milhões de eleitores que faltaram ao primeiro turno é o principal desafio da disputa contra Flávio Bolsonaro (PL), marcada para 25 de outubro. O diagnóstico veio sem meias palavras: “São 30 milhões de pessoas que nós temos que trabalhar. O que aconteceu com essas pessoas? Eles perderam o sentido de responsabilidade? Eles não foram convencidos? Eles não gostam dos candidatos?”

A responsabilidade é nossa

Lula foi além da pergunta e tratou a abstenção como fracasso da própria campanha:

“O que nós temos é que tentar convencer, porque 30 milhões de seres humanos não foram votar. Possivelmente tem uma causa: desinteresse. E a responsabilidade é nossa. É devolver o interesse para ele de participar do processo eleitoral.”

O presidente também recusou a procura por culpados: “A gente não tem que ficar procurando defeito, que os outros podem ter nos prejudicado. Não. Nós temos que procurar o que nós não fizemos corretamente, que a gente agora tem que fazer.”

Os números que ele quer reverter são duros. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 33,4 milhões de eleitores não votaram no domingo (4), o equivalente a 21,08% do eleitorado. Foi a maior abstenção em uma eleição geral desde 1998: dos 158,7 milhões de eleitores aptos, 125,2 milhões compareceram às urnas. Flávio terminou à frente, com 47,03% dos votos válidos; Lula, com 45,16%.

Agora é um contra um

Lula defendeu mudança de estratégia para os próximos 20 dias, com a comparação direta com o adversário ocupando espaço central: “São 20 dias em que a gente vai ter que colocar para fora aquilo que a gente deveria estar colocando o ano inteiro.” O presidente disse que pretende ampliar presença em debates, entrevistas de rádio, redes sociais e atividades de rua.

“Eu quero ganhar as eleições fazendo as mesmas coisas e fazendo mais coisas. Agora sim, agora é importante ter debate na televisão. Porque agora é tête-à-tête. Agora é um contra um”, afirmou.

E voltou a demonstrar confiança:

“Eu estou convencido de que não há nenhuma razão para que a gente não seja eleito presidente da República no segundo turno. Não há nenhuma razão econômica, social, política. Não há nenhuma razão.”

Lula lembrou que já reverteu cenários desfavoráveis, citando 2006: “Eu já fui para o segundo turno em quase todas as eleições. Em 2006, eu fui para o segundo turno com Alckmin e, no segundo turno, aconteceu um fenômeno: eu cresci 12 milhões de votos e o Alckmin perdeu 4 milhões de votos.” Ele anunciou atos em Ceará, Piauí, Bahia e São Paulo, e ida ao Rio Grande do Norte para a campanha de Cadu Xavier, o Cadu de Lula (PT), ao governo estadual.

A lição da abstenção

A autocrítica é rara em política e bem-vinda. Enquanto a extrema direita culpa o sistema, Lula assume a responsabilidade de devolver o interesse ao eleitor. Mas 30 milhões de ausentes ensinam mais: desinteresse também é desencanto com a política que não entrega. Reconquistar esse eleitorado exige mais que campanha. Exige mostrar, em 20 dias, que o projeto do povo vale o voto. A direita terá a máquina de desinformação; a esquerda tem a verdade e a rua.

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