Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (29) revela um quadro paradoxal na disputa pelo governo da Bahia. De um lado, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) ostenta 57% de aprovação popular — 37% classificam a gestão como positiva, contra apenas 23% de negativa. De outro, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) aparece tecnicamente empatado com o petista no primeiro turno: 39% a 38%, dentro da margem de erro de três pontos.
O levantamento ouviu 1.200 eleitores com 16 anos ou mais entre 23 e 27 de julho, com nível de confiança de 95%. Os números mostram que 52% dos baianos acreditam que Jerônimo merece a reeleição, contra 41% que discordam. Na simulação de segundo turno, ACM Neto alcança 43%, contra 39% do governador — diferença também dentro da margem de erro.
O paradoxo é evidente: o eleitor aprova o governo, mas o voto não acompanha a aprovação na mesma intensidade. Um cenário que alimenta a disputa e mantém o Palácio de Ondina em aberto.
Enquanto isso, o adversário vira piada
Enquanto Jerônimo administra o estado com aprovação majoritária, ACM Neto tenta se modernizar e acaba atropelado pela própria estratégia. O ex-prefeito passou a usar inteligência artificial para produzir vídeos personalizados para aliados políticos — a ideia, aparentemente, era mostrar proximidade e capilaridade. O resultado foi outro.
As montagens viralizaram, mas não do jeito que a campanha esperava. Uma das publicações que ganhou as redes coloca ACM Neto ao lado de Nazaré Tedesco, a personagem vivida por Renata Sorrah na novela “Senhora do Destino”. A comparação entre o candidato e a icônica vilã da TV brasileira ampliou a repercussão do caso para fora do ambiente político baiano e transformou a estratégia de marketing em combustível para memes.
O ex-governador Rui Costa (PT), uma das lideranças políticas do estado, usou o episódio para criticar o adversário. As montagens com o vídeo seguiram sendo compartilhadas por perfis políticos e usuários comuns, com comparações entre as versões produzidas para diferentes candidatos da base do ex-prefeito.
O cenário eleitoral baiano
A pesquisa Quaest também mediu a força do presidente Lula na Bahia. O petista aparece com 52% das intenções de voto no primeiro turno no estado, contra 18% do senador neofascista Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Um dado que reforça a hegemonia do PT no maior estado do Nordeste e que ajuda a explicar por que a disputa estadual, mesmo empatada, favorece o campo progressista.
No segundo turno, ACM Neto está numericamente à frente, mas dentro da margem de erro. A vantagem de 4 pontos (43% a 39%) é frágil e pode ser revertida com o apoio de Lula, que continua sendo o principal cabo eleitoral do estado.
O que a eleição baiana mostra, no fundo, é o retrato de um estado dividido entre a aprovação da gestão petista e a força do nome de ACM Neto — um sobrenome que ainda pesa na política local, mesmo quando o candidato vira meme com inteligência artificial.
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