Por birra contra Lula, Alcolumbre segura MP do Frete

Ela perde validade no dia 16 se não for votada

Alcolumbre trava MP Frete
Alcolumbre segura votação da MP do Frete no Senado e caminhoneiros ameaçam greve nacional. Foto: Pedro Gontijo/Senado Federal

A Medida Provisória do Frete, que há três semanas aguarda votação no Senado, virou refém de um jogo político tão claro quanto escandaloso. O presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), simplesmente se recusa a pautar a matéria — e já avisou a aliados que não vai colocar em votação nenhuma pauta relevante antes das eleições. O resultado é que uma MP que beneficia diretamente milhões de brasileiros, barateando o frete e o preço dos alimentos, está prestes a caducar.

A MP 1343, que reforça a fiscalização do piso mínimo do frete, foi aprovada pela Câmara dos Deputados e agora dorme na mesa de Alcolumbre. O prazo de validade vence no dia 16 de julho. Se não for votada até lá, a medida perde efeito — e o Brasil volta à estaca zero na regulação do transporte de cargas.

Mas o presidente do Senado não parece disposto a ajudar. Em vez disso, cumpre à risca o roteiro de acordos fechados com a extrema direita: segurar qualquer pauta que possa beneficiar eleitoralmente o presidente Lula. Se a MP do Frete for aprovada, barateia a logística, reduz o preço dos alimentos e melhora a vida do trabalhador. Exatamente o tipo de resultado que Alcolumbre quer evitar a todo custo — porque dar certo para Lula é, na lógica tacanha do Centrão, “ajudar o governo”.

O padrão de sabotagem

O caso da MP do Frete não é isolado. É o mesmo personagem, o mesmo método e a mesma motivação por trás do travamento da PEC que acaba com a escala 6×1. A proposta de redução da jornada de trabalho — que beneficiaria 37 milhões de trabalhadores e tem aprovação de 80% da população — também está engavetada por Alcolumbre. A explicação nos bastidores é a mesma: se for votada antes das eleições, “renderia benefício eleitoral ao presidente Lula”.

Traduzindo: Alcolumbre prefere que o trabalhador continue se matando na escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) e que o frete continue caro, encarecendo a comida no prato do povo, a permitir que o governo Lula mostre serviço. É a consagração da lógica do “quanto pior, melhor” — mas não para o povo, e sim para a sobrevivência política do Centrão e de sua aliança com a extrema direita neofascista.

O ultimato dos caminhoneiros

O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, o Chorão, foi direto ao ponto. “Vejo com muita preocupação que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, esteja envolvido nessa briga de egos e tudo que está vindo do governo federal ele está sentado em cima. Isso não é admissível”, disparou.

Chorão deu um ultimato:

“Que coloque na pauta para ser votada agora na próxima terça-feira (15), pois a Medida Provisória caduca no dia 16. Se a MP caducar haverá paralisação nacional e o responsável por isso será Davi Alcolumbre, presidente do Senado.”

A MP trata de pontos essenciais para a categoria: a garantia do custo mínimo do frete, a autonomia da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para fiscalizar o setor, a isenção de multas aplicadas em 2022 — durante o governo Bolsonaro — e o fim das multas de entre-eixos. “Tem muitas coisas ali dentro da Medida Provisória que dá tranquilidade e segurança ao caminhoneiro”, explicou Chorão.

A farra do “não ajudo o governo”

Enquanto Alcolumbre senta em cima das pautas populares, a extrema direita comemora nos bastidores. O acordo é simples: o Centrão segura a votação de tudo que pode dar tração ao governo Lula — PEC 6×1, MP do Frete, e por aí vai — em troca de proteção. Quem perde? O povo brasileiro, que continua pagando frete caro, trabalhando seis dias por semana e vendo o Congresso virar palco de um jogo de cartas marcadas contra o próprio país.

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