O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu lavar as mãos e chancelar a pirotecnia da oposição na CPMI do INSS. Ele negou o recurso da base governista e manteve a quebra de sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. A decisão referenda uma votação marcada por tumulto, empurra-empurra e uma contagem de votos absolutamente fraudulenta.
A base aliada tentou anular o circo armado pelo presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos-MG). A denúncia era clara: Viana proclamou a aprovação do pacote — que escondia o pedido contra Lulinha no meio de 87 requerimentos — quando quatorze parlamentares estavam de pé para registrar o voto contrário, porém apenas sete foram contados.
Alcolumbre, no entanto, usou a matemática fria para blindar o colega. Apoiado em pareceres internos, ele argumentou que havia 31 presentes na sessão e seriam necessários 16 votos para barrar a medida. Como o recurso governista reuniu 14 assinaturas, o presidente do Senado concluiu que a violação regimental “não se mostra evidente e inequívoca”.
O abismo ético e a armadilha da oposição
A validação dessa manobra rasteira, contudo, serve para reavivar a memória do país sobre o abismo ético que separa o atual governo do anterior. Como a Frente Livre já havia analisado, a devassa nas contas de Lulinha encerra de vez a narrativa da extrema direita.
O pedido do deputado Alfredo Gaspar (União-AL) baseia-se em mensagens de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, que cita um suposto repasse de R$ 300 mil para o “filho do rapaz”. A defesa de Lulinha nega veementemente qualquer relação com os desvios e critica o vazamento seletivo. Mas o ponto central é a postura institucional: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já deixou claro que não usará o cargo para proteger familiares. Se houver crime, a Justiça que atue.
O contraste é brutal e didático. Quando o cerco se fechou contra o clã na gestão passada, Jair Bolsonaro aparelhou a máquina pública, trocou delegados da Polícia Federal e demitiu o então ministro Sergio Moro apenas para blindar seus filhos da cadeia.
Ao ganhar no grito e com a bênção de Alcolumbre, a oposição armou uma arapuca para si mesma. Se a quebra de sigilo de Lulinha não revelar absolutamente nada, a extrema direita sairá desmoralizada, provando que o tumulto que fez a TV Senado cortar a transmissão na semana passada era apenas cortina de fumaça para esconder a própria irrelevância.






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