Alfredo Gaspar não entrou na CPMI do INSS para apurar a verdade. Entrou para fazer política rasteira. Pré-candidato ao Senado em Alagoas e recém-filiado ao PL a convite de Flávio Bolsonaro, o deputado virou um dos rostos mais úteis do neofascismo no Congresso: duro com adversários, dócil com a extrema direita e barulhento quando precisa fabricar espetáculo.
A prova mais clara veio no relatório final da comissão. Gaspar apresentou um texto que tentou indiciar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, sem uma única prova concreta de vínculo com as fraudes do INSS. O contraste é escandaloso: depois de aprovar a quebra de sigilos, vasculhar contas bancárias, cruzar dados e devassar conversas telefônicas, a comissão não encontrou nenhuma ligação entre Lulinha e o esquema investigado.
Mesmo assim, Gaspar insistiu na montagem política. O relatório acabou rejeitado pela própria CPMI, mas isso não impediu o estrago. No fim, o objetivo já tinha sido cumprido: espalhar a acusação, empurrar a narrativa para o noticiário e garantir os links que o bolsonarismo tanto adora explorar no Google, como se manchete substituísse prova.
Moralismo de vitrine
É esse o método de Alfredo Gaspar. Ele veste o figurino de fiscal da moralidade, mas opera como peça de propaganda da extrema direita. Já subiu à tribuna da Câmara para criticar uma decisão do Conselho Nacional de Justiça pela aposentadoria compulsória de um desembargador suspeito de vender sentenças a traficantes internacionais de drogas.
Como não bastasse, veio o bate-boca na sessão final da CPMI.
A crise começou durante a leitura do relatório final da CPMI do INSS. Em meio à sessão, o deputado Lindbergh Farias acusou Gaspar, aos gritos, de “estuprador”. O relator reagiu imediatamente, em tom igualmente agressivo. O episódio abriu espaço para a formalização de uma notícia-crime na Polícia Federal, assinada por Lindbergh e pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MT).
R$ 70 mil já pagos e outros R$ 400 mil em troca do silêncio da vítima. Os autores da representação pedem investigação documental e biológica para apurar os fatos.
Lindbergh e Soraya apresentam denúncia no Congresso. Foto: Reprodução Redes Sociais






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