Um influenciador de extrema-direita com mais de 3,5 milhões de seguidores publicou ameaças contra o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a jornalista Daniela Lima, colunista do UOL, que decidiu não divulgar o conteúdo, o bolsonarista afirmou que o magistrado deveria começar a se preocupar com “atiradores”.
O conteúdo surgiu após a controvérsia sobre uma ordem de busca e apreensão de dados de políticos do Maranhão que violaram o sigilo do esquema de segurança de Dino (veja vídeo abaixo). O influenciador acusou o ministro de perseguir um jornalista e blogueiro por denunciar supostas irregularidades no estado.
Na gravação, ele disse: “Vocês têm que começar a se preocupar com atirador perseguindo vocês porque um jornalista e blogueiro não vai fazer nada além de mostrar para o mundo quem vocês são e verdade”. O autor do vídeo também dirigiu ofensas a Daniela Lima e encerrou a publicação com outra menção a atiradores: “Daniela, cuidado com os atiradores. Essa é a verdade. As coisas no Brasil vão começar a apertar agora em tempos de eleição”.
O absurdo que virou rotina
Vamos parar para pensar no absurdo disso. Um cidadão com milhões de seguidores ameaça, publicamente, um ministro do Supremo Tribunal Federal com “atiradores”. E ainda tem a cara de pau de dizer que a ameaça é “digital, não física”. Como se ameaçar de morte, mesmo que “só” na internet, fosse aceitável. Como se a palavra “atirador” não significasse exatamente o que significa.
Esse tipo de violência política neofascista não existia no Brasil. Não faz parte da nossa história, não faz parte da nossa cultura política. A disputa política brasileira, por mais acirrada que fosse, nunca chegou a esse nível de ameaça explícita de execução contra autoridades. Isso vem sendo insuflado, dia após dia, por esse movimento cretino chamado bolsonarismo.
O movimento que transformou o ódio em método
O influenciador ainda disse que iria “enterrar vivo” o ministro maranhense. Em publicações anteriores, apoiou o tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil e afirmou que “o velório mais aguardado do Brasil é o do Lula e, inclusive, o do Moraes”. Centenas de mensagens contra Dino se acumularam nos últimos dias. O ministro figura como o segundo integrante mais ameaçado do STF, atrás apenas de Alexandre de Moraes.
Não é coincidência. É método. O bolsonarismo construiu, ao longo dos anos, uma máquina de produção de ódio que transforma adversários políticos em alvos. Ministros do STF, jornalistas, o presidente da República — todos viram personagens de um roteiro de violência que, em 8 de janeiro, quase virou realidade.
A escalada que precisa ser interrompida
O STF encaminhou a publicação às autoridades competentes para avaliação. O uso de veículos cedidos pelo Estado e pelo Tribunal de Justiça do Maranhão para autoridades do Judiciário sob ameaça constante tem respaldo legal. Mas a pergunta que fica é: até quando vamos aceitar que ministros da mais alta corte do país precisem de esquema de segurança reforçado por causa de ameaças de um influenciador bolsonarista?
A violência política neofascista que o bolsonarismo insufla não é “liberdade de expressão”. É crime. É a semente de algo muito pior. E cada “cuidado com atiradores” que fica impune é uma autorização para o próximo. O Brasil precisa reagir — antes que o “atirador” deixe de ser metáfora.
👀 Veja o vídeo para entender a controvérsia sobre Flávio Dino
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