A China iniciou na quinta-feira (19) o envio de 60 mil toneladas de arroz a Cuba, em mais uma demonstração de apoio à ilha, que enfrenta escassez de alimentos e uma crise energética agravada pelo bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos. A primeira remessa faz parte de uma ajuda emergencial aprovada pelo governo de Xi Jinping e chega em um momento em que Havana depende de solidariedade internacional para aliviar os efeitos do cerco econômico.
Segundo a embaixada cubana em Xangai, o embarque marca o começo de uma nova entrega da doação chinesa. Parte das 60 mil toneladas já havia sido encaminhada em janeiro, quando Pequim também aprovou uma assistência financeira de US$ 80 milhões para compra de equipamentos elétricos e outras necessidades urgentes. A representação cubana resumiu o gesto com uma frase direta: “Diante da adversidade, prevalece a solidariedade dos verdadeiros amigos.”
O bloqueio empurra Cuba para a escassez
O envio de arroz tem peso político e humanitário. O alimento é básico na dieta cubana, mas sua obtenção se tornou cada vez mais difícil por causa das restrições às importações e da deterioração das condições econômicas da ilha. A crise se agrava com apagões prolongados e com a queda no fornecimento de petróleo venezuelano, resultado também da ofensiva dos Estados Unidos contra Caracas.
Nesse quadro, a ajuda chinesa não é apenas logística. Ela expõe a brutalidade de um embargo que há décadas tenta sufocar a soberania cubana, penalizando diretamente a população. Enquanto Washington insiste em isolar a ilha, Pequim reafirma uma política de cooperação e respeito à autodeterminação dos povos.
Solidariedade internacional contra o cerco
A iniciativa chinesa ocorre ao mesmo tempo em que outros apoios se somam. O governo brasileiro anunciou o envio de mais de 20 mil toneladas de alimentos por meio do Programa Mundial de Alimentos da ONU, incluindo arroz, feijão e leite em pó. Também chegou à ilha uma remessa de medicamentos de primeira necessidade.
Além disso, uma caravana internacional com parlamentares, sindicalistas e estudantes brasileiros desembarca em Havana neste sábado como parte do Nuestra América Convoy a Cuba. A delegação leva mais de 20 toneladas de produtos, entre alimentos, remédios e equipamentos de energia solar.
A China tem condenado reiteradamente o bloqueio dos EUA, classificando as pressões de Washington como fatores que comprometem a paz e a estabilidade regionais. O novo envio de arroz reforça essa disputa política: de um lado, o imperialismo que tenta estrangular Cuba; de outro, a solidariedade concreta com um povo que resiste.






Deixe seu comentário