Macapá, AP – O prefeito bolsonarista de Macapá, Antônio Furlan (PSD), o Dr. Furlan, encontrou uma saída criativa para não ter que explicar a sacola de dinheiro vivo flagrada em seu carro oficial: ele simplesmente fugiu da cadeira. Afastado do cargo por 60 dias pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o político enviou um ofício à Câmara Municipal nesta quinta-feira (5) avisando que está renunciando à prefeitura. O motivo oficial? Segundo ele, não tem nada a ver com o escândalo de corrupção, mas sim com um incontrolável “anseio público” de que ele seja candidato a governador do Amapá em 2026.
O cinismo da manobra atinge níveis estratosféricos. Para tentar transformar um caso clássico de desvio de verba pública em um épico de martírio político, Furlan foi às redes sociais gravar um vídeo. Na encenação, o bolsonarista veste a fantasia de vítima e acusa o sistema de “perseguição política”. O argumento central de sua defesa imaginária é que a ordem de afastamento foi assinada pelo ministro Flávio Dino, ex-ministro da Justiça do governo Lula. Na lógica torta do ex-prefeito, o problema não é o seu motorista recebendo pacotes de dinheiro vivo em um veículo pago pelo contribuinte, mas sim a caneta do juiz que mandou investigar o crime.
A cortina de fumaça e o ralo do hospital
A tentativa de politizar a operação policial é uma cortina de fumaça desesperada para esconder a gravidade da Operação Paroxismo. A Polícia Federal não está investigando ideologia; está investigando um esquema grosseiro de fraude em licitações e lavagem de dinheiro nas obras do Hospital Geral Municipal, orçadas em R$ 69,3 milhões. O dinheiro, proveniente de emendas parlamentares, escorria pelo ralo da corrupção e ia parar em saques em espécie, azeitando a engrenagem com a velha e conhecida mala de dinheiro.
O salto ornamental de Furlan para fora da prefeitura ocorre no momento em que a água bateu no pescoço. Reeleito com mais de 85% dos votos e recém-filiado ao PSD de Gilberto Kassab, o bolsonarista percebeu que a imagem do carro oficial servindo como carro-forte clandestino destruiria seu mandato.
Ao renunciar, ele tenta limpar a ficha e se cacifar para a disputa estadual contra o grupo do senador Davi Alcolumbre (União Brasil). Resta saber se o tal “anseio público” do qual ele tanto se orgulha inclui votar em um candidato que confunde o porta-malas da prefeitura com um cofre particular.






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