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Bolsonaro pede ajuda EUA
Já não seria absurdo o suficiente o governo dos EUA realizar uma audiência pública e chamar não o governo brasileiro, mas a oposição; Flávio Bolsonaro achou pouco e implorou que os EUA não façam o prometido tarifaço contra o Brasil "antes das eleições", porque isso ajudaria Lula. Foto: Reprodução Redes Sociais
BRASIL

Esse cara deveria ser preso hoje

Bolsonaristas vão aos EUA pedir de joelhos ajuda eleitoral

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cruzou o Atlântico nesta terça-feira (7) para fazer algo que nenhum político brasileiro jamais deveria sequer admitir: sentar diante de uma comissão de governo estrangeiro e prestar contas sobre o Brasil. Em audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington, o pré-candidato neofascista a presidente implorou que os americanos não apliquem tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. O argumento? Que o tarifaço “beneficiaria Lula” e seria “o pior momento” para adotá-lo. Em outras palavras: por favor, não prejudiquem minha campanha eleitoral.

O que estamos vendo é a entrega da soberania nacional em troca de capital político. Um senador brasileiro foi prestar contas a um governo estrangeiro sobre políticas internas do Brasil — PIX, combate à corrupção, desmatamento, comércio digital — como se o país fosse um feudo administrado de Washington. Não há precedente para isso. Nenhum político, em nenhum momento da história republicana, foi tão longe na submissão a uma potência estrangeira para tentar tomar o poder.

Escondendo o bananinha

O detalhe mais escandaloso é que o problema foi criado pela própria família Bolsonaro. Foi Eduardo Bolsonaro, condenado pelo STF por coação no escândalo do tarifaço e cassado pela Câmara, quem intensificou contatos com parlamentares republicanos e integrantes do governo Trump nos últimos meses. Foi esse lobby que pavimentou o caminho para a investigação comercial americana contra o Brasil, que agora ameaça taxar em 25% nossas exportações e coloca o PIX na mira de Washington. Eles criaram o incêndio e agora querem ser os bombeiros.

A presença de Eduardo na audiência é tão tóxica que a própria assessoria de Flávio distribuiu fotografias oficiais em que ele foi deliberadamente cortado da imagem. O irmão condenado pela Justiça brasileira, que perdeu o mandato por abandonar o trabalho, ocupa um assento ao lado do senador durante todo o evento — mas é escondido da imprensa como um segredo constrangedor. Nos bastidores, segundo reportagens, Eduardo é o principal articulador político da campanha de Flávio, apesar de não ter cargo oficial.

É ladrão, mas é cristão

O deputado estadual Lucas Bove (PL-SP), aliado de Flávio, resumiu o nível moral do projeto com uma frase que deveria virar peça de campanha: “Ele é corrupto, mas é cristão.” É a confissão completa de um projeto político que não se preocupa mais nem em esconder a própria podridão. A corrupção virou pecado venial desde que acompanhada de um terço na mão e um discurso moralista.

Flávio ainda tentou defender o PIX, dizendo que não é “um problema, mas uma solução” — convenientemente esquecendo que foi o lobby do seu próprio irmão que colocou o sistema de pagamentos brasileiro na mira da investigação americana.

Como absurdo pouco é bobagem, atacou o governo mentindo descaradamente, afirmando que o escândalo de corrupção do Banco Master é coisa do Lula. Claro que ele não disse palavra sobre o ex-banqueiro corrupto Daniel Vorcaro, figura central do esquema, ser o mesmo sujeito a quem ele chama de “irmão” em áudio apreendido pela Polícia Federal e que deu pelo menos R$ 60 milhões a ele com a alegação de que pagaria custos de produção de um filme sobre a vida do golpista condenado Jair Bolsonaro.

E que o chefe da Casa Civil no governo do pai, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), tem ligações umbilicais com Vorcaro e o Master. Que o infantil Nikolas Ferreira (PL-MG) teve um avião colocado a sua disposição por Daniel Vorcaro na campanha de 2022 para rodar o país pedindo votos para Bolsonaro. Que o cunhado e sócio de Vorcaro, o pastor Fabiano Zettel, é o maior financiador individual da campanha de Bolsonaro. Que o governo bolsonarista do Distrito Federal quebrou o banco público e por consequência quebrou a cidade pelos próximos 15 anos para salvar o Banco Master. Que o governo ultrabolsonarista do Rio de Janeiro quebrou a previdência estadual para salvar o Banco Master…

O que está em jogo aqui não é apenas uma eleição. É o princípio de que o Brasil é uma nação soberana que não presta contas de suas políticas internas a nenhum governo estrangeiro. Os Bolsonaro estão normalizando a ideia de que é aceitável ir a Washington, sentar diante de funcionários do governo Trump e pedir que interfiram na economia brasileira para favorecer um projeto de poder. Isso não é oposição. Isso é lesa-pátria.

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