“Fazer memória é fortalecer a luta por justiça”
Apesar das evidências, o então procurador-geral da República, Augusto Aras, entendeu que a CPI da covid-19 não trouxe indícios de crimes na gestão Bolsonaro. Engavetou as denúncias. E, cinco anos depois do início da pandemia, as pessoas já se esqueceram mesmo.
Já que o Brasil tem memória fraca para eventos traumáticos, algumas iniciativas tentam ajudar. O Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência (SoU_Ciência) da Universidade Federal de São Paulo, Unifesp, lançou o Acervo da Pandemia de Covid-19, um acervo digital que reúne um material extenso evidenciando a política anticiência que ajudou a ampliar a tragédia da pandemia no Brasil.
Os itens – vídeos, áudios, documentos oficiais, entre outros – passaram por uma curadoria coletiva e foram catalogados por pesquisadores do SoU_Ciência. O acervo é uma importante iniciativa para a memória coletiva e ferramenta essencial no combate à desinformação e na luta por justiça e reparação.
Esquecer nosso passado implica em não se preparar para o futuro. Novos eventos traumáticos serão vividos, novas pandemias virão. Não fechamos a ferida aberta pela dureza da realidade vivida. Essa ferida só será fechada com a justiça. Fazer memória é fortalecer a luta por justiça. E, se a paz é fruto da justiça, somente no dia em que a justiça acontecer, poderemos viver em paz.
