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Brasil toma as ruas e diz NÃO à anistia aos golpistas e à PEC da Bandidagem

Presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi um dos políticos mais atacados nas manifestações de rua

São Paulo, Salvador, Curitiba, Brasília e outras 30 cidades brasileiras – Uma onda massiva de protestos varreu o Brasil neste domingo (21), mobilizando milhões de pessoas em 33 cidades, incluindo todas as 27 capitais. Em Brasília, aproximadamente 40 mil pessoas se reuniram na Esplanada dos Ministérios, em um ato convocado por sindicatos e movimentos sociais. Os manifestantes, impulsionados pela indignação contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que busca blindar parlamentares e a anistia a condenados por tentativa de golpe de Estado, transformaram as ruas em palcos de defesa da democracia e da justiça.

De Norte a Sul, a palavra de ordem foi “Sem Anistia” e a rejeição à “PEC da Blindagem”, apelidada de “PEC da Impunidade” ou “PEC da Vergonha”. O movimento, que contou com o apoio de Frentes Populares, sindicatos, movimentos sociais, artistas e políticos, demonstrou uma forte retomada das ruas pela população brasileira.

Em Brasília, capital federal, o ato reuniu milhares de pessoas em uma marcha que saiu do Museu Nacional e foi até o Congresso Nacional. Representantes de sindicatos, movimentos sociais e de autarquias carregaram faixas e bandeiras pedindo a derrubada da PEC da Blindagem e contra a anistia aos golpistas de 8 de janeiro.

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) esteve no ato e reforçou a importância da mobilização para “enterrar” os projetos que “defendem a extrema direita” no país.

“Nos estamos derrubando a PEC da Bandidagem. Precisamos colocar nossas pautas. Eles estão com duas armações pra essa semana. Querem votar o PL da Anistia e revisar a pena do Bolsonaro e dos militares. No Brasil, nenhuma militar que tramou contra a democracia foi preso. Entao nesse momento é preciso reforçar: sem anistia!”, afirmou em discurso.

A concentração do ato foi marcada por uma batalha de rima com MCs de Brasília. O tema era o mesmo do ato: contra a PEC da Anistia.

Rio de Janeiro: grito chamado por Caetano

Aos gritos de “Sem Anistia” e “Viva a democracia”, os manifestantes se reuniram na altura do Posto Cinco da Orla de Copacabana, para escutar os discursos de lideranças políticas e assistir aos shows dos cantores Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Djavan, entre outros.

Caetano Veloso disse, durante o ato musical, que a democracia no Brasil resiste. Segundo ele, a cultura nacional apresenta grande vitalidade.

“Não podemos deixar de responder aos horrores que vêm se insinuando à nossa volta”.

Gilberto Gil lembrou que o Brasil já passou por momentos semelhantes em sua história. “Passamos por momentos parecidos sempre em busca da autonomia, o bem maior do nosso povo”, afirmou. 

Salvador: “carnaval da democracia”

Em Salvador, o protesto foi descrito como um verdadeiro “carnaval da democracia”. Milhares se concentraram no Morro do Cristo e marcharam pela Avenida Oceânica, liderados pela cantora Daniela Mercury em um trio elétrico. O ator Wagner Moura, Baco Exu do Blues, Nanda Costa e Lan Lahn também se uniram ao ato, que teve um forte caráter cultural e político.

“Bandidagem não é com a gente”, declarou Daniela Mercury, que criticou a PEC e qualquer tentativa de anistia. “A gente está aqui em Salvador dizendo pro mundo inteiro que não aceitamos essa PEC da impunidade para os deputados federais, pra nenhum deputado… Seja com dosimetria, seja com PL da Anistia, isso é inaceitável.”

Wagner Moura endossou o coro, exaltando a resiliência democrática do país: “Eu fiquei com vontade de falar só do momento extraordinário pelo qual passa a democracia brasileira, que é exemplo para o mundo inteiro. A gente que sempre cresceu dizendo que nossa democracia é frágil, que ela é jovem. Nossa democracia botou para “lenhar” [para quebrar]”. O ator completou com uma mensagem clara para a política local: “Aqui a extrema-direita não se cria. Aqui não, pai”.

São Paulo: Paulista recebe centenas de milhares sob chuva

Na Avenida Paulista, em São Paulo, o ato reuniu centenas de milhares de pessoas, começando antes do horário previsto e mantendo a multidão engajada mesmo sob chuva. Considerado um “evento histórico” por muitos, a manifestação na capital paulista refletiu a inquietação com a condução política nacional e pautas controversas como o “PL da Devastação”.

Gilmar Mauro, da direção nacional do MST, celebrou a mobilização: “No final do dia, nós vamos poder falar de milhões contra a anistia aos golpistas, contra a PEC [da Blindagem], e colocar em pauta os temas da classe trabalhadora”.

O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) reforçou a importância do momento: “Hoje é um dia histórico. Hoje, a esquerda brasileira retomou o protagonismo das ruas nesse país”. A advogada Glaucia Avellar expressou a indignação popular: “Esse protesto mostra a insatisfação do povo, porque a gente lutou tanto para ter uma Constituição cidadã… Eles estão preocupados em se poupar, se blindarem e não irem presos.”

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) previu o impacto das manifestações: “Depois do ato de hoje, a PEC da Bandidagem será enterrada”. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da matéria no Senado, já antecipou sua posição: “Minha posição sobre o tema é pública e o relatório será pela rejeição, demonstrando tecnicamente os enormes prejuízos que essa proposta pode causar aos brasileiros”.

A deputada Érika Hilton (PSOL-SP) fez um discurso contundente: “Aqueles que atentaram contra a nossa democracia não serão anistiados”. Em referência direta ao ex-presidente: “Agora, Bolsonaro, você vai dar lição para golpista. Você vai para cadeia, para ensinar que aqui, não.”

Curitiba e outras capitais: voz uníssona contra a impunidade

Em Curitiba, milhares também se concentraram na Boca Maldita, centro da capital paranaense. O senador Roberto Requião (MDB) destacou o poder da mobilização popular: “Se fosse pelo Congresso, já teria anistia para os golpistas e PEC da impunidade para os deputados. Só as ruas, só a mobilização popular, só a manifestação da cidadania parou essas duas violências contra o povo brasileiro”.

Zeca Dirceu (PT-PR), pré-candidato à Prefeitura de Curitiba, resumiu o espírito do dia: “Este é o domingo da defesa da democracia, da soberania nacional, da nossa pátria. É o domingo das ruas, da luta e da vitória contra os inimigos da democracia”.

Em outras capitais como Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Manaus, Belém, Natal e São Luís, os atos começaram cedo, com slogans como “Ditadura nunca mais”, “Sem Anistia” e “Fora Golpistas” ecoando pelas praças e avenidas.

“Quem deve teme, quem é honesto não precisa de PEC”, era a frase em um cartaz levantado por uma manifestante em Belém. Na capital paraense, milhares de pessoas se reuniram na entrada do Theatro da Paz, primeira casa de espetáculos construída na Amazônia.

Na capital do Rio Grande do Norte, o domingo também começou com protesto. “Aqui em Natal o povo tá na rua dizendo não à PEC da blindagem e que não vai ter anistia”, declarou a deputada estadual Brisa Bracchi (PT), em cima do carro de som.

Impacto e próximos passos

Os protestos deste domingo, que também tiveram eco em cidades ao redor do mundo, marcam um ponto de virada na pressão popular sobre o Congresso Nacional. As manifestações explicitam uma clara demanda por transparência, justiça e o fortalecimento das instituições democráticas, rejeitando qualquer movimento que possa ser interpretado como autoproteção ou conivência com atos antidemocráticos. A força da mobilização popular pode, segundo os próprios manifestantes e líderes, ser decisiva para determinar o destino da PEC da Blindagem e dos projetos de anistia.

Fonte: com informações do Brasil de Fato

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