O Partido Social Democrático (PSD) realizou, na manhã deste domingo (26), em São Paulo, o lançamento oficial da candidatura do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência da República. O presidente da legenda, Gilberto Kassab, será o candidato a vice-presidente. Vindo do União Brasil, Caiado filiou-se ao PSD em 2026 para tentar viabilizar um nome de centro-direita capaz de surfar o desgaste de Flávio Bolsonaro.
Na cerimônia, Caiado se apresentou como candidato “contra a corrupção, fora da polarização”, e declarou que é preciso devolver o país “aos brasileiros de bem”. Exaltou as candidaturas de Ratinho Júnior e Eduardo Leite como exemplos de sua visão de gestão. Agradeceu o ex-presidente da Câmara, Aldo Rebelo, como um dos responsáveis por sua candidatura.
O problema é que, enquanto Caiado discursa contra a corrupção, o currículo que carrega pesa como uma âncora de barco furado. O “xerife de Goiás” chega ao palanque presidencial cercado de investigações, derrotas judiciais e relações incômodas com o crime organizado.
A Justiça que não brinca
No mesmo dia em que o PSD lançava Caiado ao Planalto, a Justiça de Goiás confirmava o arquivamento dos processos contra o militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Leandro Costa e o vereador de Goiânia Fabrício Rosa (PT), presos durante um protesto na Usina Santa Helena. O Ministério Público de Goiás (MPGO) já havia considerado as prisões “sem fundamento legal”.
A fintech do PCC e os bilhões de Caiado
Se a truculência policial já é grave, a relação do governo Caiado com o crime organizado é devastadora. O governo goiano utilizou a fintech BK Instituição de Pagamento, a BK Bank — investigada na Operação Carbono Oculto e apontada como banco paralelo do Primeiro Comando da Capital — para movimentar R$ 1,36 bilhão em programas de transferência de renda do Estado entre outubro de 2021 e agosto de 2025.
O documento do Coaf obtido pela Folha de S.Paulo detalha que a Agência de Fomento de Goiás repassava os recursos à BK Bank, que creditava os valores nos cartões de 880 mil beneficiários, cobrando taxa de até 6% dos comerciantes. A fintech operava com contas-bolsões que dificultam o rastreamento financeiro, e a Receita Federal identificou R$ 17,7 bilhões em entradas atípicas com alto risco de lavagem de dinheiro.
O governador que chama MST de “organização criminosa”, que prende manifestante sem fundamento legal, que posa de law and order, usou durante dois mandatos uma empresa que operava como banco paralelo do PCC para movimentar dinheiro público. O senhor da lei alimentava o crime organizado com a mão esquerda enquanto posava de xerife com a direita.
O candidato que não pode ser fiscalizado
Caiado chega à corrida presidencial no momento em que o bolsonarismo implode com Flávio Bolsonaro — o candidato do PL que viu aliados debandarem, a foto com o capanga de Vorcaro estourar e o STF abrir inquérito sobre R$ 61 milhões do filme Dark Horse. O PSD aposta que Caiado pode ser o nome da direita “limpa” — aquela que não tem rachadinha, nem iCloud de miliciano, nem áudio pedindo dinheiro a banqueiro preso.
Só que Caiado tem coisas que talvez sejam piores: tem um histórico de violência policial institucionalizada, tem uma fintech do PCC movimentando bilhões do seu governo e tem a Justiça investigando a própria polícia que ele comandou. O candidato que se apresenta como “contra a corrupção” terá que explicar por que seu governo moveu R$ 1,36 bilhão pelas mãos de um banco paralelo do PCC.





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