O cheiro de sangue na água é tão forte que até os tubarões da própria direita estão se aproximando. Neste domingo (13), o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, deram declarações públicas que expõem o tamanho do naufrágio da candidatura neofascista de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ambos, cada um a seu estilo, cravaram o diagnóstico: o “Zero Um” está sangrando — e eles querem é ver o corpo afundar.
Caiado, que disputa com Flávio o eleitorado da direita, foi direto ao ponto ao ironizar a carta que Jair Bolsonaro escreveu da prisão domiciliar para sustentar a candidatura do filho. “Flávio Bolsonaro, 45 anos, leu uma carta do pai ao vivo pra dizer que tá pronto pra ser presidente. Porque um candidato à Presidência precisa provar que decide sozinho nos momentos mais duros”, escreveu o goiano no X, com farta dose de ironia.
A estocada foi acompanhada de uma reflexão que deve doer mais que a carta paterna: “O eleitor não quer um presidente que precise de aval constante de outra liderança”. Caiado ainda sugeriu que o contraste entre “autonomia e dependência” pode virar eixo do debate presidencial. Um alto integrante de sua campanha resumiu a estratégia com uma frase que é quase uma declaração de guerra: “Ele é o adulto na sala. Será que os eleitores acham que um candidato a presidente da República precisa de validação de alguém, como fez o Flávio?”
Kassab: “Flávio está com problemas” e Lula ganha fácil
Gilberto Kassab, anunciado como vice na chapa de Caiado, foi ainda mais cirúrgico. Em entrevista ao jornal O Globo, o presidente do PSD reconheceu que Flávio enfrenta uma crise, mas disse não acreditar que ele saia da disputa. O diagnóstico, porém, veio acompanhado de uma pá de cal: “Não é uma disputa com Flávio. O que vejo hoje é o Lula no segundo turno e, se for Flávio contra Lula, o Lula ganha.”
Kassab também jogou na cara do senador seus 51% de rejeição — um número que torna qualquer candidatura inviável. “Flávio tem 51% de rejeição. Se for o Caiado contra o Lula, o Caiado ganha. Porque o Lula vai ter condição de explorar a rejeição que o Flávio tem.”
O presidente do PSD também criticou a atuação de Flávio e Eduardo Bolsonaro no tarifaço de Trump. “Desde o primeiro momento, o Eduardo deu um passo errado, com o apoio da família, a favor do tarifaço. E agora o Flávio está correndo atrás do prejuízo, está procurando se recuperar, mas não consegue.”
O enterro da candidatura
O que se vê é um cenário de desintegração acelerada. A candidatura que deveria representar a continuidade do bolsonarismo está sendo atacada não pela esquerda, mas pelos próprios aliados de direita. Caiado e Kassab identificaram a fragilidade e estão agindo. O primeiro, metralhando nas redes sociais. O segundo, concedendo entrevistas que funcionam como atestado de óbito político.
Enquanto isso, Flávio tenta se segurar nas pesquisas com a carta do pai — um documento que, nas mãos de qualquer estrategista político, seria considerado humilhante. Mas no bolsonarismo, a humilhação virou estratégia de campanha.
O problema é que, quando os tubarões começam a nadar em círculos, o corpo ainda boiando será atacado e consumido muito rapidamente.
