O canal “Exército do Lula”, criado no WhatsApp pelo deputado André Janones (Rede-MG), está ativo após uma reviravolta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste domingo (11). O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, revogou a ordem de suspensão determinada pelo presidente da Corte, Kássio Nunes Marques, a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Novas publicações e a entrada de seguidores estão liberadas.
Com 3,67 milhões de inscritos, o canal reúne tutoriais para ampliar o alcance de publicações, mensagens de incentivo à militância, um vídeo com Lula e convites para atrair novos participantes. Janones informa que a divulgação dos conteúdos de campanha destinados ao compartilhamento começa na segunda-feira (12). Até aqui, as chamadas “missões” incentivam os seguidores a convidar outras pessoas para integrar o espaço.
A campanha de Flávio acusa o canal de disseminar boatos contra o senador e orientar compartilhamentos em massa, “como robôs”. A reportagem do Metrópoles afirma não ter encontrado os boatos mencionados. A candidatura sustenta que as publicações foram apagadas.
Prints com o conteúdo do canal “Exército do Lula”, capitaneado por André Janones, revelam que ao contrário do que disse Flávio Bolsonaro em ação no TSE, não há propagação de fake news. Reprodução
Kássio havia acolhido o pedido e dado três horas para a Meta retirar o canal do ar. Horas depois, Cueva, relator do caso, derrubou a determinação por considerar insuficientes as provas apresentadas pela campanha de Flávio.
Para o corregedor, eventuais irregularidades em publicações específicas não justificam a suspensão de todo o canal. Cueva também pediu que o plenário analise o caso em caráter urgente, preferencialmente em 24 horas.
Ao justificar o pedido, a assessoria de Flávio destacou uma declaração de Janones em uma transmissão ao vivo, na qual o deputado disse que a militância poderia “agir igual um robô” por quinze dias. A candidatura usa a frase para fundamentar a acusação de compartilhamento em massa.
A ordem de Kássio contrasta com a posição que ele adotou em 2022. Ao votar no Supremo Tribunal Federal contra uma resolução que previa a suspensão de canais, o ministro classificou a medida como “verdadeira censura prévia de conteúdo”. Neste domingo, durante o ato na Avenida Paulista, Lula também criticou a retirada do canal: “Eu acho um absurdo”.
