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caso BRB
Ex-governador bolsonarista do DF aparece pressionando então presidente do BRB a fechar operações com o Master. Foto: Arquivo Pessoal Ibaneis Rocha
BRASIL

Ibaneis captado no radar da PF no escândalo BRB

Conversas e mensagens complicam ex-governador bolsonarista

A Polícia Federal já considera ter elementos para acusar o ex-governador bolsonarista do DF Ibaneis Rocha de corrupção nas operações do BRB com o Banco Master. Ele tinha comando sobre Paulo Henrique Costa, preso ontem e recolhido à Papuda na manhã desta sexta (17), e pleno conhecimento de tudo o que estava acontecendo. Mais: seu escritório de advocacia recebeu dinheiro, o que confere materialidade, segundo se diz entre os investigadores.

A tese da defesa do ex-governador é a de que ele não sabia de nada do que estava acontecendo. Quer apresentá-lo como incompetente e, assim, livrá-lo da pecha de ladrão.

Uma operação de busca e apreensão contra Ibaneis já foi pedida pela PF à ministra Maria Isabel Galotti, relatora do processo no Superior Tribunal de Justiça, mas ela negou. Ex-presidente da OAB-DF e advogado prestigioso em Brasília, Ibaneis sempre se gabou do poder que detém nos bastidores do Poder Judiciário.

Talvez por este motivo, tenha conseguido se manter em liberdade por todo esse tempo, apesar das conversas interceptadas nos celulares de Daniel Vorcaro, em que este afirmava estar pessoalmente com o governador numa “operação de guerra”, e do próprio Paulo Henrique Costa, em que aparece pressionando o subordinado pelas medidas de socorro ao Master, alegando não suportar a pressão para que fossem logo tomadas.

Sai pra lá, ex-amigo

Como governador, ele “governava” as narrativas, documentos e informações sobre o caso. Agora que renunciou para concorrer ao Senado, a vice que virou governadora, Celina Leão, tem dado sinais de que não pretende se queimar para salvar a pele do antecessor.

Ainda mais porque Celina planeja ter os votos bolsonaristas na eleição de outubro. Pra isso, só anda por Brasília agarrada com a deputada Bia Kicis (PL-DF) e com a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, ambas, como Ibaneis, pré-candidatas ao Senado.

Sem delação, por questão de caráter

Paulo Henrique Costa, por seu lado, chegou a instruir seus advogados a entabularem uma negociação de delação premiada com o Ministério Público e com a Polícia Federal. A coisa não andou por mau caratismo. Costa queria entregar todos os diretores do BRB, chefes de departamento, gerentes e assessores que o ajudaram a fazer a tramoia prosperar, mesmo diante dos alertas e rejeições de técnicos do banco. Ouviu que delações premiadas só existem quando o delator entrega alguém acima, não abaixo. E a coisa esfriou.

A prisão dele só saiu por outro motivo: estaria tramando a destruição de provas, o que no Brasil é caso de cadeia automática.

O problema é que ao puxar esse novelo, a Polícia Federal identificou uma engrenagem gigantesca montada para ocultar valores ligados ao caso Master. O advogado Daniel Monteiro, concunhado de Daniel Vorcaro, o ex-banqueiro do finado Banco Master. Monteiro foi preso junto com Costa e é apontado como um dos operadores da blindagem jurídica do esquema.

A estrutura teria usado empresas imobiliárias de fachada e contratos fraudulentos para esconder a circulação do dinheiro e dar aparência legal à roubalheira – descobriu-se, enfim, que Paulo Henrique Costa teria levado pelo menos R$ 140 milhões para fazer o que fez.

O arranjo envolvia, além de Costa e Monteiro, claro, o próprio Vorcaro. A suspeita é de que valores tenham sido disfarçados por meio de imóveis de luxo, empresas sem atividade real e intermediários usados para embaralhar a origem da propina. Em resumo: o dinheiro passava por várias camadas até perder o rastro.

Empresas de fachada e imóveis

O ponto central da investigação é a criação e o uso de empresas do setor imobiliário para servir como eixo da ocultação patrimonial. A PF afirma que o circuito incluía contratos montados para simular legalidade e esconder o verdadeiro destino dos recursos. Em uma das linhas apuradas, fundos ligados à Reag Investimentos teriam sido usados para viabilizar pagamentos em forma de imóveis, divididos em unidades de alto valor.

Daniel Monteiro teria redigido contratos fraudulentos e ajudado a montar um sistema de compliance paralelo no Banco Master. A apuração também aponta que ele coordenava a constituição de empresas de fachada e mecanismos para ocultar a propina. É o tipo de engenharia jurídica usada não para fiscalizar, mas para encobrir. Em Brasília, nos bastidores, o que se diz é que esta engrenagem não foi posta somente em benefício de Paulo Henrique Costa. Vai aparecer mais gente, de políticos a membros do Judiciário, se valendo dela.

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