O povo do Distrito Federal impôs, em uma semana, duas derrotas consecutivas ao governo ultrabolsonarista de Celina Leão (PP). Na educação, a Secretaria de Educação (SEEDF) revogou o corte de R$ 25,5 milhões das escolas públicas. Na cultura, a governadora confirmou a 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que o próprio governo havia cancelado menos de um dia antes.
Nenhum dos dois recuos nasceu da consciência. Nasceram da pressão. Na sexta-feira (7), a Portaria nº 351 restaurou R$ 53,65 milhões para o Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF) no segundo semestre, com o valor-base de R$ 84 por estudante de volta, depois que movimentos populares, sindicato de professores, parlamentares e comunidade escolar foram às ruas e às redes.
Na cultura, o roteiro se repetiu. O governo comunicou que não havia recursos para o Festival. A reação foi imediata: manifestações nas redes, críticas de entidades como o Fórum dos Festivais e a Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), denúncias de parlamentares. Na noite de segunda-feira (10), Celina determinou à Secretaria de Economia que providencie os recursos e confirmou o evento entre 11 e 19 de setembro.
Celina, a herdeira do governo corrupto de Ibaneis
A governadora tenta, a cada recuo, se apresentar como salvadora da pátria. A história não é essa. Celina Leão é parte integrante do governo corrupto de Ibaneis Rocha, por mais que agora tente negá-lo. Foi nesse governo que o GDF se enfiou no Banco Master numa fraude tão escandalosa que quebrou o caixa em várias frentes, da saúde à educação.
Os cortes não foram acidente. Foram escolha política de quem prefere gastar com o que interessa ao capital do que com o futuro das crianças e dos trabalhadores da cultura. E Celina, que comandava ou endossava esse projeto, só recuou quando a rua apertou — nas duas frentes.
Cultura não pode viver de urgências
O Festival de Brasília é patrimônio do cinema brasileiro. A 59ª edição estava em preparação: inscrições abertas em março, filmes selecionados, equipes trabalhando havia meses. O deputado Fábio Félix (Psol-DF) denunciou:
“O governo Celina Leão deixou de repassar cerca de R$ 3 milhões para realizar o Festival. E não é um caso isolado: faltam pagamentos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e o Cine Brasília também sofre com a falta de recursos.”
Gabriel Magno (PT-DF), que destinou emenda para o Festival, declarou:
“Cultura é direito, gera emprego, renda e movimenta a nossa cidade. Não dá para aceitar que o governo Celina/Ibaneis trate com tamanho abandono um patrimônio cultural de Brasília.”
O Fórum dos Festivais foi direto:
“Cultura não pode viver de urgências. Festivais não podem depender de soluções de última hora.” A Abraccine lembrou que equipes trabalharam durante meses “com base em um planejamento estabelecido com a participação do próprio Governo do Distrito Federal”.
A escola que o povo salvou
Na educação, o recuo veio depois do desastre anunciado: o Distrito Federal ficou abaixo da média no Ideb de 2025. O governo corta verba, a educação piora, e a culpa sobra para os professores. A revogação do corte foi uma vitória do povo — mas a guerra continua. A publicação de Celina sobre o Festival, aliás, não informa qual será o valor liberado, de onde virão os recursos ou quando o repasse será feito.
Quando o povo se organiza, o governo ultrabolsonarista recua. A lição das duas semanas é essa: verba para a escola e para a cultura existe — só falta vontade de quem governa para quem trabalha.






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