Celina cancela, povo grita, Festival de Brasília volta

GDF está em crise financeira por causa da roubalheira do Banco Master

Celina Leão recua
Depois de ter que repor verbas cortadas da educação pública, a bolsonarista Celina Leão teve que voltar atrás também no cancelamento do Festival de Cinema de Brasília. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O povo do Distrito Federal impôs, em uma semana, duas derrotas consecutivas ao governo ultrabolsonarista de Celina Leão (PP). Na educação, a Secretaria de Educação (SEEDF) revogou o corte de R$ 25,5 milhões das escolas públicas. Na cultura, a governadora confirmou a 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que o próprio governo havia cancelado menos de um dia antes.

Nenhum dos dois recuos nasceu da consciência. Nasceram da pressão. Na sexta-feira (7), a Portaria nº 351 restaurou R$ 53,65 milhões para o Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF) no segundo semestre, com o valor-base de R$ 84 por estudante de volta, depois que movimentos populares, sindicato de professores, parlamentares e comunidade escolar foram às ruas e às redes.

Na cultura, o roteiro se repetiu. O governo comunicou que não havia recursos para o Festival. A reação foi imediata: manifestações nas redes, críticas de entidades como o Fórum dos Festivais e a Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), denúncias de parlamentares. Na noite de segunda-feira (10), Celina determinou à Secretaria de Economia que providencie os recursos e confirmou o evento entre 11 e 19 de setembro.

Celina, a herdeira do governo corrupto de Ibaneis

A governadora tenta, a cada recuo, se apresentar como salvadora da pátria. A história não é essa. Celina Leão é parte integrante do governo corrupto de Ibaneis Rocha, por mais que agora tente negá-lo. Foi nesse governo que o GDF se enfiou no Banco Master numa fraude tão escandalosa que quebrou o caixa em várias frentes, da saúde à educação.

Os cortes não foram acidente. Foram escolha política de quem prefere gastar com o que interessa ao capital do que com o futuro das crianças e dos trabalhadores da cultura. E Celina, que comandava ou endossava esse projeto, só recuou quando a rua apertou — nas duas frentes.

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Cultura não pode viver de urgências

O Festival de Brasília é patrimônio do cinema brasileiro. A 59ª edição estava em preparação: inscrições abertas em março, filmes selecionados, equipes trabalhando havia meses. O deputado Fábio Félix (Psol-DF) denunciou:

“O governo Celina Leão deixou de repassar cerca de R$ 3 milhões para realizar o Festival. E não é um caso isolado: faltam pagamentos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e o Cine Brasília também sofre com a falta de recursos.”

Gabriel Magno (PT-DF), que destinou emenda para o Festival, declarou:

“Cultura é direito, gera emprego, renda e movimenta a nossa cidade. Não dá para aceitar que o governo Celina/Ibaneis trate com tamanho abandono um patrimônio cultural de Brasília.”

O Fórum dos Festivais foi direto:

“Cultura não pode viver de urgências. Festivais não podem depender de soluções de última hora.” A Abraccine lembrou que equipes trabalharam durante meses “com base em um planejamento estabelecido com a participação do próprio Governo do Distrito Federal”.

A escola que o povo salvou

Na educação, o recuo veio depois do desastre anunciado: o Distrito Federal ficou abaixo da média no Ideb de 2025. O governo corta verba, a educação piora, e a culpa sobra para os professores. A revogação do corte foi uma vitória do povo — mas a guerra continua. A publicação de Celina sobre o Festival, aliás, não informa qual será o valor liberado, de onde virão os recursos ou quando o repasse será feito.

Quando o povo se organiza, o governo ultrabolsonarista recua. A lição das duas semanas é essa: verba para a escola e para a cultura existe — só falta vontade de quem governa para quem trabalha.