Kassio volta a censurar Lula e vira “Kassio” da “creche”

Censor do canal de Lula, Nunes Marques é citado na rede de Vorcaro

Por Frente Livre
censura de Kassio
Mensagens obtidas a partir da quebra de sigilo do celular de Daniel Vorcaro mostram indícios de pagamentos de mesada de R$ 500 mil mensais a filho do presidente do TSE que beneficia a campanha de Flávio Bolsonaro.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, mantém censurado o canal Exército do Lula, com 3,7 milhões de seguidores, mesmo depois de a área técnica do tribunal não encontrar provas das fake news denunciadas pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Enquanto cala a comunicação do campo de Lula, o ministro tem o próprio nome citado em mensagens da rede de prostituição financiada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, com Pix de R$ 10 mil documentado.

 

censura de Kassio

censura de Kassio Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro revelam o diálogo com Rayanna, apontada como agenciadora de garotas de programa: “A minha amiga disse que ficou com o Kassio”, diz ela, antes de cobrar 10 reais do banqueiro pelo “encontro”.

Censura sem prova

O canal Exército do Lula, criado pelo deputado federal André Janones, foi derrubado no domingo (11) a pedido da campanha do senador. A decisão de Kassio caiu horas depois: o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, apontou irregularidade no rito e restabeleceu o canal. A área técnica do TSE informou que não localizou no grupo as publicações apontadas como falsas pela campanha de Flávio.

Nada disso impediu a nova censura, nesta terça (13). Kassio mudou o fundamento: em vez da apuração de mentiras, cobra o registro formal do endereço do canal na Justiça Eleitoral e deixa em aberto a possibilidade de responsabilizar o presidente Lula. O ministro ainda determinou que a Meta monitore o canal.

A tesoura não para aí. Em decisão sigilosa, Kassio suspendeu a circulação do jornal do Sindicato dos Petroleiros de São Paulo (Sindipetro Unificado), impresso e digital, e mandou recolher os exemplares não distribuídos, sob multa de R$ 10 mil. O jornal defendia que a vitória de Lula seria melhor para os trabalhadores da Petrobras. “A concessão da tutela torna-se necessária para cessar a distribuição de propaganda eleitoral irregular e reduzir os efeitos do eventual emprego de recursos de fonte vedada na disputa eleitoral”, justificou o ministro. O sindicato chamou a medida de censura e “ataque à liberdade de expressão”.

 

 

“Escravas”, “creche” e o “Kassio” do Pix

Enquanto esmaga a comunicação do adversário, o nome do censor aparece num balcão de carne humana. Investigação publicada nesta terça (13) revelou que Vorcaro financiou, a partir de 2023, uma rede internacional de prostituição, com aportes de ao menos R$ 4,3 milhões, recrutando estrangeiras — inclusive refugiadas ucranianas. “Tem que sobrar alguma refugiada pra mim”, escreveu o banqueiro, ao saber que uma jovem de 19 anos fugia de cidade bombardeada.

As mulheres eram tratadas como mercadoria: “escravas”, “kengas”, “Escravinha doutrinada”. As mais jovens, de “creche”. A Polícia Federal (PF) abriu inquérito em maio para apurar cafetinagem e tráfico internacional de pessoas.

Nas conversas, uma agenciadora cobra o pagamento: “Ela disse que ficou com o Kassio”, seguido de Pix de R$ 10 mil. O jornalista Leonardo Sakamoto fez a pergunta que a PF precisa responder: se o “Kassio, com K” das mensagens, como tudo indica, é o ministro que comanda o TSE, abafa e campanha de Lula e permite até crimes a de Flávio.

Onde nasce a censura

O quadro é o retrato do poder no Brasil: um juiz que censura sem prova a oposição e sufoca a imprensa sindical é o mesmo cujo nome circula num esquema de exploração de mulheres vulneráveis, com Pix documentado. Enquanto “creche” e “escravas” forem tratadas como folclore de bastidores, a lei continuará valendo só para quem não tem jatinho particular.

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