A China anunciou uma medida de salvaguarda que funcionará como uma barreira parcial à importação de carne bovina, impondo cotas por país e uma pesada tarifa adicional de 55% sobre o volume excedente. A decisão, que entra em vigor em 1º de janeiro de 2026, atinge em cheio o Brasil, principal fornecedor da proteína para o mercado chinês, ao estabelecer um limite inferior ao que o país já exporta atualmente.
Segundo o Ministério do Comércio chinês (Mofcom), o Brasil terá uma cota de 1,106 milhão de toneladas isenta de tarifas adicionais em 2026. O número, embora seja o maior entre todos os países, representa um desafio significativo: apenas até novembro de 2025, o Brasil já exportou 1,499 milhão de toneladas para a China, com uma receita de US$ 8,028 bilhões.
Na prática, isso significa que, para manter o ritmo de exportação, os frigoríficos brasileiros terão que arcar com uma sobretaxa de 55% sobre quase 400 mil toneladas de carne, o que pode tornar o produto brasileiro menos competitivo.
A medida também afeta outros grandes exportadores. A cota da Argentina para 2026 foi fixada em 511 mil toneladas, a do Uruguai em 324 mil, e as de Austrália e Estados Unidos em 205 mil e 164 mil toneladas, respectivamente.
O governo chinês, que justifica a medida como uma forma de proteger seus produtores locais, estabeleceu uma cota de importação total de aproximadamente 2,7 milhões de toneladas para 2026. A nova regra terá duração de três anos, e as cotas não utilizadas em um ano não poderão ser transferidas para o seguinte.






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