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Clarissa Tércio
Clarissa Tércio entra no radar de Flávio Bolsonaro como possível vice e reacende debate sobre defesa do estupro, aborto legal e extrema-direita. Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
BRASIL

Defendeu gravidez de criança estuprada

Clarissa Tércio (PP-PE) cotada para vice de Bolsonaro

Recife — Filho do golpista condenado, Jair Bolsonaro, o senador neofascista Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, segue em busca de um nome para ocupar o lugar de vice na sua chapa para as eleições deste ano. Após a negativa da senadora e empresária do agro Teresa Cristina (PP do Mato Grosso), descrita por ele como “sonho de consumo”, os olhos se voltaram para a região Nordeste, onde o pai foi derrotado tanto em 2018 como em 2022. E ele mostrou interesse no nome da pernambucana Clarissa Tércio (PP), deputada federal em primeiro mandato, comunicadora e herdeira de um conglomerado evangélico.

Em 2020, ainda deputada estadual, a parlamentar e seu esposo Júnior Tércio (PP) participaram da tentativa de invasão ao Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), no Recife, durante protesto religioso que tentava impedir que uma menina de 10 anos tivesse direito ao aborto legal.

A criança, natural do Espírito Santo, fora estuprada por familiares durante anos, violência que só foi descoberta quando a mãe a levou a um hospital e descobriu que a menina estava grávida, situação que colocava em risco a sua própria vida.

A menina acumulava motivos que, isolados, já lhe garantiam o direito ao aborto legal e seguro: era uma gravidez de risco, fruto de estupro e ela era uma vulnerável. Ainda assim, hospitais do Espírito Santo lhe negaram o procedimento, forçando a mãe a acionar a justiça, que enviou a criança para realizar o aborto no Recife. Mas novas violências estavam por vir.

A influenciadora e militante de extrema-direita Sara Geromini divulgou o local onde o procedimento seria realizado, convocando uma mobilização de grupos religiosos conservadores a promover um protesto em frente ao Cisam.

Participaram da manifestação o casal Clarissa e Júnior Tércio (PP), o casal Cleiton e Michele Collins (PP), os deputados Joel da Harpa (PP) e Renato Antunes (Novo), além dos católicos Terezinha Nunes (MDB) e Felipe Alecrim (Novo). Há imagens que mostram Clarissa Tércio participando do tumulto que tentava forçar a entrada de um grupo de políticos no hospital.

Os gritos de “assassinos” contra os envolvidos no procedimento, em especial o médico Olímpio Bezerra, segundo entrevistas concedidas à época, visavam levá-los a “considerar salvar as duas vidas”, que na prática significa forçar a criança a manter a gravidez.

Em novembro de 2025, a deputada votou a favor do projeto de lei apelidado de “PDL da Pedofilia”, que acaba com os atendimentos sigilosos e humanizados para crianças e adolescentes vítimas de estupro, direito garantido em resolução do Conselho Nacional da Criança e do Adolescente (Conanda) revogada por este projeto.

Clarissa Tércio também é autora de um projeto de lei que busca tornar obrigatório, em estabelecimentos de saúde públicos e privados, afixação de cartazes para desestimular mulheres a realizarem o aborto legal. Os cartazes, segundo sugestão da deputada, devem dizer que os fetos abortados “serão descartados como resíduo hospitalar” e que o aborto legal e seguro “pode causar sérias consequências à saúde da mulher”, pontuando infertilidade, depressão e morte.

No dia oito de janeiro de 2023, enquanto manifestantes depredaram os prédios públicos da Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF), Clarissa Tércio usou as redes sociais para compartilhar vídeos em apoio à ação, o que levou a uma investigação do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre um possível envolvimento dela com as ações, mas nada foi encontrado além do apoio nas redes sociais.

Ao saber que está sendo cogitada na chapa presidencial, no início de abril, Tércio afirmou alegria e gratidão “que meu nome tenha sido lembrado por lideranças que compartilham do mesmo sonho que o meu”. A deputada federal Simone Marquetto (PP de São Paulo) também busca se viabilizar para compor a chapa.

Clarissa Tércio disputou apenas uma eleição majoritária, para prefeita de Jaboatão dos Guararapes, ficando em 2º lugar, com 20,2% dos votos. Seu adversário foi Mano Medeiros (então no PL, mas hoje no PSD), que venceu a disputa já no 1º turno.

O embate eleitoral refletiu a disputa entre a família Tércio e a família Ferreira (padrinhos políticos de Mano Medeiros), que competem pelo voto evangélico e conservador em Jaboatão, 2º maior município de Pernambuco. Os irmãos Anderson e André Ferreira controlam o PL em Pernambuco.

Igrejas, rádios e muitos votos

Natural de Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, Clarissa Tércio tem 41 anos e é filha do pastor Francisco Tércio, presidente do ministério Novas de Paz, denominação da Assembleia de Deus, fundado em 1997 dentro de um quartel da Polícia Militar em Jaboatão.

Em 2020, a denominação já possuía mais de 150 templos em Pernambuco, sendo cerca de metade deles no município de fundação. O grupo religioso coordena a comunidade terapêutica Casa de Recuperação Novas de Paz, que recebe dependentes químicos e, segundo o próprio centro, “restaura e devolve à sociedade indivíduos capazes de servir a Cristo”.

Júnior Tércio e Clarissa Tércio são herdeiros de um conglomerado de mais de 150 igrejas, duas rádios comunidades terapêuticas
Júnior Tércio e Clarissa Tércio são herdeiros de um conglomerado de mais de 150 igrejas, duas rádios comunidades terapêuticas | Crédito: Igreja Novas de Paz/Reprodução

A família também é proprietária, desde 2014, da Rádio Novas de Paz, que possui frequências de transmissão no Agreste do estado e na região metropolitana, sendo uma das que concentra maior audiência na RMR. No início da pandemia, em 2020, a rádio foi denunciada no Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e no Ministério Público Federal (MPF) por espalhar informações falsas, já que os programas radiofônicos eram usados para dizer que a pandemia era uma “mentira de veículos de comunicação para prejudicar o governo Bolsonaro”.

Semanas depois, Clarissa Tércio passou a circular em bairros periféricos distribuindo à população caixas de cloroquina, medicação propagandeada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, mas cuja eficácia contra a Covid-19 era comprovadamente inexiste. Candidata pela primeira vez em 2018, Clarissa Tércio foi eleita pelo PSC com mais de 50 mil votos e, dois anos depois, elegeu o pastor Júnior Tércio, seu esposo, vereador do Recife, com 12 mil votos. Em 2022, Júnior foi eleito deputado estadual com 183 mil votos, enquanto Clarissa alcançou os 240 mil votos, eleita deputada federal.

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