O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), aquele que foi eleito sob as bênçãos diretas de Jair Bolsonaro e que transformou o Palácio Guanabara em um anexo do gabinete de Flávio Bolsonaro, anunciou nesta quinta-feira (28) sua desistência da pré-candidatura ao Senado. Encurralado por duas operações da Polícia Federal (PF) em menos de 15 dias e já ostentando uma inelegibilidade até 2030, Castro percebeu que o foro privilegiado é um sonho distante para quem está com as digitais espalhadas por um rombo bilionário na previdência estadual.
A “decisão mais difícil” da vida de Castro, como ele mesmo classificou em um vídeo melancólico nas redes sociais, é, na verdade, um movimento desesperado de sobrevivência jurídica. O bolsonarista, que cedeu áreas estratégicas de seu governo — especialmente a Segurança Pública — aos caprichos do clã Bolsonaro, agora se vê abandonado no meio do tiroteio da Operação Compliance Zero. A investigação aponta que Castro foi peça-chave para viabilizar o aporte irregular de R$ 3,6 bilhões do Rioprevidência em fundos do falido Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
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A simbiose criminosa entre o Guanabara e o Master
A relação entre Cláudio Castro, Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro ultrapassou há muito tempo o limite do institucional para mergulhar no que a PF chama de “tratativas ilícitas”. Enquanto Flávio pedia “uma luz” de R$ 134 milhões a Vorcaro para “financiar” a cinebiografia do pai, Castro operava a outra ponta do balcão, trocando o comando do Rioprevidência para facilitar investimentos temerários no banco que viria a ser liquidado pelo Banco Central (BC). Em troca, o governador recebia vantagens indevidas, as famosas propinas, para manter a roda do crime financeiro girando.
A PF investiga como essa rede de influência permitiu que o dinheiro dos aposentados fluminenses fosse usado para tapar buracos de uma instituição financeira em crise. Castro, que sempre se jactou de ser o “governador de Bolsonaro”, agora tenta se esconder atrás da desculpa de “cuidar da família” e focar na própria defesa. A verdade é que o grupo político da extrema direita no Rio está em frangalhos, e a desistência de Castro é o reconhecimento de que a “mamata” do Master deixou rastros indeléveis.
O espólio bolsonarista e a sucessão do caos
Com a saída de cena do investigado, o bolsonarismo fluminense agora corre para encontrar um novo rosto que aceite carregar o fardo de representar o PL. Sob a batuta de Jair e Flávio Bolsonaro, nomes como Carlos Portinho, Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante já começam a se estapear nos bastidores pela vaga. O objetivo é estancar o desgaste provocado pelas revelações do Intercept e da PF, que mostram como a estrutura do Estado foi loteada para servir a interesses privados e, juram eles, a projetos cinematográficos.
Castro sai da disputa não por vontade própria, mas por absoluta falta de condições morais e jurídicas. O político que entregou o Rio de Janeiro nas mãos da milícia digital e financeira agora assiste, de camarote e com tornozeleira moral, ao desmoronamento de um projeto de poder que sempre priorizou o bolso dos aliados em detrimento do bem-estar da população. O “ponto final” que Flávio Bolsonaro disse ter tentado colocar na história de Vorcaro acabou sendo, na verdade, o ponto final na carreira política de seu mais fiel escudeiro no Rio.






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