As disputas por terra atingiram o pior nível da década em 2024, com as regiões da Amacro (Amazonas, Acre, Rondônia) e Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia) concentrando 62% dos assassinatos no campo. Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) revelam que os 415 conflitos no Matopiba e 185 na Amacro seguem um padrão: jagunços, policiais e fazendeiros agem em conjunto para expulsar comunidades tradicionais e ampliar fronteiras agrícolas.
Enquanto o agronegócio avança – com áreas de soja e pasto aumentando 4.700% na Amacro em 20 anos -, comunidades como a Irmã Dorothy (AM) sofrem ataques a tiros. O caso da indígena Nega Pataxó, morta por milícia rural com apoio da PM na Bahia, exemplifica a aliança entre latifúndio e Estado que mantém o Brasil como o país mais violento do mundo para quilombolas, indígenas e extrativistas.
Números da Violência
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Amacro (AM/AC/RO): 185 conflitos (recorde em 10 anos)
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Matopiba (MA/TO/PI/BA): 415 conflitos – o dobro do último pico (2016)
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Assassinatos: 13 em 2024 (79% das vítimas são indígenas)
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Cúmplices: Policiais militares participaram de 31% dos crimes
Como Operam os Grileiros
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Bloqueio de estradas com cercas ou jagunços armados
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Incêndio de casas e expulsão violenta de famílias
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Tortura e execuções (caso da comunidade Irmã Dorothy, AM: 4 baleados em 2024)
Depoimento Cruel:
“Lá tá mais com uma zona de guerra”
Mizael Magalhães, extrativista da Gleba Novo Natal (AM), onde jagunços atiraram em castanheiros.
Expansão do Agronegócio = Violência
| Região | Pasto (2003?2023) | Soja (2003?2023) |
|---|---|---|
| Amacro | 3 mi -> 7.5 mi hectares | 1 ha -> 72 mil ha |
| Matopiba | 11 mi -> 15.6 mi hectares | 1 mi -> 4.7 mi ha |
(Fonte: MapBiomas)
Culpados Diretos
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Fazendeiros: Comandaram 6 dos 13 assassinatos (caso Nega Pataxó, BA)
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Polícia Militar: Apoiou milícias no massacre a indígenas no sul da Bahia
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Estado Omissor: Incra só agiu após 10 anos de terror na comunidade Marielle Franco (PA)
Resistência e Vitórias
- Gleba Novo Natal (AM): Famílias resistem há 5 anos
- Assentamento Marielle Franco (PA): Criado em 2025 após década de lutas
Fonte: Agências Brasil, Pública, Brasil de Fato e Repórter Brasil






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