O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na noite de quinta-feira (19) que será candidato à reeleição em outubro e enquadrou a disputa de 2026 como um confronto direto entre democracia e fascismo. A declaração foi feita na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, em São Bernardo do Campo, durante o ato que oficializou a pré-candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), ao governo de São Paulo.
Lula disse que não pretende permitir a volta da extrema direita ao poder.
“Eu vou ser candidato, porque enquanto esse jovem com 80 primaveras estiver com energia de 30, a extrema-direita não volta a governar esse país”, afirmou.
Na sequência, ampliou o tom do discurso e avisou que a disputa já ultrapassa as fronteiras nacionais.
“Agora, a nossa briga não é só interna, é internacional”, disse, ao informar que prepara um artigo com cobranças aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.
O presidente criticou Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia, dizendo que essas potências operam como parte do problema quando o tema é guerra.
“O Conselho de Segurança [da ONU] foi feito para ter responsabilidade e manter segurança no mundo. Pois são os cinco que estão fazendo guerra. Eles produzem e vendem mais armas, participam dos conflitos e quem paga o preço? Os pobres”, declarou.
Ao fechar o raciocínio, Lula resumiu a eleição como uma disputa de valores.
“A eleição será uma eleição da democracia contra o fascismo; da liberdade contra a opressão; da liberdade de imprensa contra a mentira”, afirmou.
Extrema direita fascista assombra o Brasil e o mundo
A fala do presidente encontra eco em uma sequência de fatos recentes que ajudam a sustentar sua leitura. Nos últimos meses, a extrema direita brasileira acumulou episódios de agressão política e social: ataques racistas e transfóbicos contra a deputada Erika Hilton, a performance de blackface na Alesp, a radicalização de parlamentares bolsonaristas em pautas de ódio e a insistência em usar a mentira como método de mobilização. Em paralelo, aliados desse campo político seguem tentando preservar influência e blindagem institucional mesmo diante do desgaste de suas lideranças.
Esse comportamento não é novo. A extrema direita tem recorrido repetidamente a duas estratégias: produzir escândalo moral para ocupar o noticiário e desviar o debate de temas mais graves, e manter viva a narrativa de que sua agenda antidemocrática seria apenas “opinião”. No caso brasileiro, isso se conecta ao legado do bolsonarismo, que radicalizou a política, estimulou ataques às instituições e normalizou a desinformação como ferramenta de poder.
Ao encerrar o discurso, Lula transformou a disputa eleitoral em convocação política.
“Então, se preparem, porque essa luta não é minha, não é do Haddad, não é do Alckmin. Essa luta é de vocês”, disse.
Veja o vídeo
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